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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Season finale

Há cerca de um ano, nessa mesma época, eu estava ansiosa. Estava sendo comida pela incerteza do que estava preparado para o próximo ano. Havia decidido ser aupair, havia contado para minha chefe,meus amigos,  meus pais, meu namorado, etc. A incerteza do meu futuro, do meu sucesso aqui, me corroia por dentro. As sensações de "Será que fiz a coisa certa?" "O que vai ser de mim?" não me deixavam dormir. Eu tinha uma vida muito boa, era feliz e estava crescendo. Por que então quis interromper tudo isso?
Naquele momento não tinha respostas, era meu "final de temporada" e como todo final de temporada, terminou em suspense, pois as respostas só chegariam  com os episódios seguintes.
Logo que cheguei aqui, nas minhas primeiras semanas já me arrependi da escolha feita. Não precisava disso. Não queria estar longe, não gostava dos hábitos, não gostava das pessoas. Mas continuei, tinha que buscar as respostas paras questões que nem tinha. Depois de um tempo essa incerteza e dor deu lugar a euforia, queria provar tudo, ver tudo e tocar tudo. Nesse meio tempo acabei esquecendo de mim mesma. Tentei ser alguém que não era, ter amigos que não eram meus e, lógico, não deu certo.
Depois de algum tempo o arrependimento voltou, o que fazia aqui? de que valia tudo isso? voltava a questionar mais uma vez. Dai, para o momento que em me encontro, muita coisa passou. Nesse meio tempo, fiz novas amizades, perdi algumas (ainda que não tivesse me dado conta disso no momento), conheci lugares incrivéis e outros nem tanto, me conheci um pouquinho mais, fui magoada e também magoei. Alguns, confesso, nem me importo em ter magoado, mas outros me arrependo até o ultimo fio de cabelo.
É engraçado esse negócio de arrependimento, muita gente enche a boca pra falar: "Não me arrependo de nada do que fiz". Tenho pena dessas pessoas, porque de duas uma: ou mentem e não são maduros o suficiente de adimitir que se pode errar e  aprender com o arrependimento, ou não fizeram nada de interessante com a própria vida.
Eu me arrependi de muita coisa aqui, tempo perdido com pessoas que não mereciam, viagens e gastos desnecessários, infantilidade, inconsequencias, preguiças, etc. Mas me orgulho de muita coisa também. E por mais que tenha ganhado um ano de saudade, um ano de sofrimento que não tinha, um ano de solidão e uma divida enorme no final do percurso, saio daqui feliz (e muita gente não consegue entender isso).
Feliz porque tive uma das experiências mais incriveis da minha vida no último fim de semana, feliz porque fiz amigas (quando já achava que não era possível) que vou levar para vida inteira. Feliz porque tive minha epifania e descobri o que já era obvio - ainda que tenha sido necessário passar por tudo isso para ter certeza. Parece cliche terminar a temporada com romance, ainda mais sendo eu a menos romantica das romanticas, mas é assim que essa termina. Meu saldo final, mesmo com as lagrimas e a divida, foi confirmar aquilo que sempre soube mas que ainda não tinha coragem para escancarar: tenho o homem da minha vida e ele me ama! E, por isso, de verdade, não me importo com mais nada.
Se conseguirei pagar o que devo, provavelmente sim. Se o homem da minha vida vai continuar comigo, espero que sim! No fim das contas, isso não importa agora, é assunto pra próxima temporada, pois essa, termina aqui!





segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Guia Frommer

No último post falei sobre estar, agora que se finda minha jornada, ironicamente, vivendo o melhor desta. Enquanto eu, como disse Tati, descrevi "poeticamente" esse momento, meu querido Guilherme o explicou cientificamente, dizendo que essa era uma das tipicas fases, já por ele estudadas, da vida de um intercambista. Cientificamente ou poeticamente, não importa, o interessante é que a epifania desse momento me despertou para fazer mais do que já fazia, de planejar ainda mais longe do que já planejava e, o melhor de tudo, de conhecer ainda mais o que não conheço. Dai fiz o que todo turista tipico  faz e que eu, nada tipicamente nada, ainda não tinha feito: comprei guias de viagem. Na verdade, na verdade não os comprei, sou au pair não posso ficar gastando dinheiro assim. Mas fui na biblioteca e voltei com milhares deles.
A intenção inicial era me preparar para New York, Washington e Philadelphia - que visitarei nessa semana- mas porque não descobrir mais coisas sobre San Francisco e o Golden State antes?

The Haight
 Procurando lugares e coisas  para fazer em SF, não turisticamente óbvias, foi que me deparei com The Haight, o quarteirão Hippie, da capital hippie do mundo, nas decadas hippies de 60 e 70.
Realmente, caminhar pelas ruas do bairro é voltar algumas decadas, nas quais eu nem vivi: as lojas e as pessoas mais alternativas possiveis, somadas ao cheiro de incenso, ao ambiente interno indiano e as pinturas psicodélicas nas fachadas quase  fazem você querer colocar uma bata, óculos escuros, um par de chinelos e dizer "peace and love".

Eu e Elise em uma das paredes do The Haight
Os preços nas lojas não são muito convidativos- nada de hippie nesse aspecto- mas se procurar bem dá para fazer alguma pechincha, como no caso da loja de lenços e cachecóis indianos em que consegui comprar uma "scarf" de $7,00 por $4,00. Só tome cuidado com sua cabeça e outras partes ao sair dos estabelecimentos, pois eu recebi um presentinho vindo dos céus, mais especificadamente, da cloaca de uma pomba.
Visitar The Haight não é algo tão tipico de turistas de passagem rápida, mas é definitivamente algo necessário para quem fica por aqui por algum tempo. É viajar um pouco no tempo e respirar, além do incenso, um pouco de história pop.

Alamo Square
Se em The Haight respirei história, o que dizer, então, sobre a famosa Alamo Saquare. Essa, sim, parada obrigatória de turistas. Quem nunca viu as famosas "Painted Ladies" em algum filme? O que muitos não sabem é a história por traz delas. As casas vitorianas, como também são conhecidas, foram as únicas "sobreviventes" de um terremoto em 1906 que devastou San Francisco. A cidade toda queimou, mas as senhoras resistiram firmes e fortes e estão até hoje em pé para contar ´- ou mostrar- história.

The burning of San Francisco, April 18, 1906, view from St. Francis Hotel.

Date 18 April 1906(1906-04-18)
Source Panoramic photographs, Libary of Congress, Reproduction Number: LC-USZ62-130410

Painted Ladies

Monterey, Pacific Grove, Carmel e Big Sur

Todo mundo que vem para Califórnia sonha em um dia poder cruzar o estado dirigindo pela costa. Não é necessário muito dinheiro para isso, tendo em vista que aluguel de carro e gasolina são bem baratos por aqui. Fora isso, existe, ou melhor, não existe, o fator pedágio. Diferente do Brasil onde pedágio é igual a número de ex-BBBs - a cada ano cresce mais- aqui, raramente, se encontra um pedágio na estrada - que são maravilhosas por sinal. Entretanto, são necessários alguns dias para cumprir tal façanha; eu, que não disponho desses dias, aproveitei meu domingo para fazer pelo menos uma parte dessa jornada pela State Route 1.
Passei por Monterey, uma cidade conhecida por um famoso aquário maritmo e por ser ponto de encontro de mergulhadores profissionais ou não. Em seguida fui a Pacific Grove onde encontrei uma praia muito bonita, cheia de pedras, chamada "Lovers Point" , o lugar tem esse nome por servir de cenário para vários casamentos. Depois de Pacific Grove , dirigimos pela highway em direção ao chamado Big Sur e, de pouco em pouco,  fomos parando na estrada para apreciar a paisagem e tirar algumas fotos.
Pacific Grove-CA

State Route 1  Big Sur-CA


Na volta, passamos por Carmel e, lá, entrei novamente em contato com o passado, pois visitamos uma das missões religiosas históricas da Califórnia, bem parecido com o que temos ai na América do Sul. Sempre que faço esse tipo de "turismo religioso" me dá uma sensação estranha, um misto de calma, paz e assombro. Díficil de explicar.
Caminhando pelos escuros corredores da igreja encontramos uma biblia antiga em latim, me lembrei das minhas "aulas" de Latim (que de latim e de aula não tinham nada). Assustada fiquei mesmo quando, comentando com minha amiga Nancy que eu já havia estudado um pouco de latim no Brasil, ela me disse: - Eu Também estudei, durante dois anos, mas não na universidade, na escola mesmo.  Imaginem minha cara, né. Só podia dizer uma coisa: Irene pulchra est!

Essa semana parto em direção a "East Coast", vou visitar New York e arredores. Já li e reli meus guias de viagem. Como serei turista passageira por lá, visitarei apenas os lugares mais famosos, deixando muita coisa sem ser vista. Mas tenho certeza que volto com muita história e fotos e com vontade de procurar mais cantinhos franciscanos e californianos pelo Guia Frommer.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A melhor parte

O tempo passa rápido, isso já é algo batido, não? Me dei conta outro dia de que já cumpri mais da metade da minha jornada americana e, agora que essa metade se foi, parece que tudo passa ainda mais rápido. Lembro-me que uma vez que alguém me disse que a segunda parte do programa é a melhor, já passou  a euforia, já passou a fase "homesick" e dai vem o "have fun" consciente. Eu só tenho que concordar.
Hoje conversando com a minha host mother sobre a minha volta (que pode até ser antecipada por razões lógisticas que não me oponho nenhum pouco) senti um frio na espinha que me dizia: está acabando e agora?
Terminada a conversa agarrei meu Ipod, meu óculos de sol e fui pra academia e depois caminhar. Inevitavelmente, enquanto pedalava, refletia sobre tudo que fiz e passei desde que cheguei aqui. Tentei lembrar dos planos que havia feito quando sai do Brasil, do(s) intuito(s) da minha viagem: Praticar inglês? Auto-conhecimento? Aprimoramento profissional? Férias da vida? Era tudo isso e nada disso.
Na verdade eu não tinha um intuito concretamente pré-definido -  e, ainda que tivesse, ele mudaria - só sabia que devia vir pra cá. E vim.
 Avaliando o "até agora", sinto orgulho de mim. Fiz tudo o que me propuz a fazer (ainda que não tenha me proposto a fazer nada). Ganhei dinheiro e  gastei tudo sem ressentimento. Estudei, mas também não. Me perdi, mas também me encontrei. Fiquei só, mas também fiz (e estou fazendo) interessantissimas amizades. Me decepcionei com alguns, mas me surpreendi com outros. Tive dúvidas, mas encontrei certezas que nem sonhava. Sofri muitíssimo, mas também tive momentos felicíssimos.
Voltando da academia estiquei minha caminhada, não queria mais voltar pra casa. O sol queimava gostoso, sol californiano, sabe?! Não é nem quente demais, nem de menos. É morno, gostoso, como aquela água aquecida que você entra e não quer sair mais. Me dei conta que essa podia ser uma das ultimas vezes que sentia tal sol este ano, visto que o verão está acabando.  Parei por um minuto, ouvia Cranberries, e fiquei adimirando tudo. Me deu uma dorzinha, o frio na espinha de novo, tá acabando. De repente, esse sentimento mudou e, estranhamente, parecia que tudo era novo, de novo;  que eu acabara de chegar e que tinha muito a fazer e ver. Guardei esse sentimento comigo, e, ironicamente, agora que sei que o fim da jornada se aproxima, começo tudo novamente. O mesmo intusiamo inicial, com menos euforia talvez, mas com a experiência de quem já viveu a parte boa ( e a ruim  também) e que, agora, dá inicio a melhor.



sexta-feira, 16 de julho de 2010

Daydream believer

Quantas pessoas podem dizer que tiveram um sonho realizado? Não estou falando de sonhos palpáveis como um carro, uma casa ou uma bicicleta – ainda que estes possam causar a mesma sensação. Quando digo sonho penso em algo ingênuo, que de tão bobo parece que nunca vai se concretizar e que, por isso, é satisfeito só na imaginação. É como se o simples de devanear fosse suficiente. E esse tipo de sonho é tão particular que só pode fazer sentido para aquele que o sonhou.

Indo nesse sentido, da particularidade do sonho, posso afirmar que, embora tenha tido um “great time” em Honolulu, este não foi o ponto mais alto de minhas três últimas semanas. Semanas essas bem agitadas por sinal.

Tudo começou no domingo dia 27 de junho quando, sozinha, fui a San Francisco para realizar um sonho de infância: ver os Backstreet boys. O interessante é que tive exatamente aquilo que queria: os Backstreet boys, como nos anos 90. Ainda que com um Nick mais velho, um AJ mais careca e mais gordo, eram eles; os mesmos “meninos”, as mesmas danças, as mesmas músicas, as mesmas piscadas ensaiadas e as mesmas meninas gritando. Voltei ao tempo, sim. Achava isso impossível, mas foi como me senti. Cantei todas as músicas, dei tchauzinho para o Brian e consegui até me ver chegando na escola no dia seguinte, contando para a Carla, a Jéssica, a Larissa e o Eder que eu havia visto um show do Backstreet boys. Conseguia imaginar as duas primeiras me perguntando tudo sobre eles, a terceira me dizendo “uou” e falando que ainda iria em um show do Hanson em Milwaukee, e o terceiro, zombando da masculinidade e da qualidade musical do grupo. Como era um sonho de infância, logo depois do final da apresentação veio o sentimento de melancolia, mas o interessante é que ele veio de uma forma doce e suave, acompanhado pela sensação de “Yes, I did it!”

É estranho como sentimentos que parecem apagados dentro de você podem renascer assim que provocados. Não gosto mais de bsb, óbvio, cresci, mas naquele momento era como se eu ainda tivesse minha coleção de posters e fotos comigo. É como se eu ainda escrevesse milhares de cartas para ganhar qualquer coisa que fosse deles. É como se eu ainda acreditasse que a letra de “as long as you love me” fosse o poema mais lindo do mundo.

Tres dias depois do show eu estava no Hawaii realizando um sonho, como dito no post anterior, não sonhado e que por isso, ainda que perfeito, de impacto menor. Cinco dias apos o Hawaii eu voltaria a San Francisco, mais uma vez sozinha, para viver aquele que pra mim foi um dos pontos mais altos de meu intercambio até agora.

Quando eu, com meus 16 ou 17, anos decidi que já era hora de parar com a história de Nick e Brian pra cá e pra lá, tentei radicalizar e buscar um outro idolo que fosse o oposto daquilo que ouvia até então. Foi quando comecei a ouvir Nirvana; mas é aquela coisa, amor forçado não é amor por muito tempo. Minha fase grunge não durou mais que seis meses. Decidi, então, que não ter idolos seria o melhor a fazer, e, hoje confesso, foi a decisão mais sensata que já tive. Entretanto, é quando não se busca amor que ele aparece, pelo menos sempre foi assim comigo. E foi em meio a esse mundo sem idolatrias que comecei a, meio que sem querer querendo, escutar Beatles. Paixão a primeira vista, ou a primeira ouvida. Mas nada de idolatrias absurdas dessa vez, nada de fotos e coleções. O simples prazer de escutar a boa música me bastava, e, realmente, não se faz necessário mais nada.

Se estar em um show dos Backstreet boys era algo impossível, embora sonhado, estar num show dos Beatles era algo querido mas inimaginável, tendo em vista que metade nem mais vive. Não se tratava de qualquer idolo, mas de idolos maiores, não meus, mas do mundo. Idolos dos idolos. Dai, vocês podem imaginar a sensação de estar sentada olhando para um pontinho branco e preto num palco e em seguida para um telão e vendo que ali, com uma simpatia descomunal, uma qualidade inigualável, estava ninguém menos que Paul Mccartney. Não, vocês não podem. Talvez as 40 mil pessoas que me acompanhavam possam, mas vocês não podem. Porque não há como descrever, não há como colocar aqui. Não basta dizer que lagrimas rolaram, não basta dizer que foi o melhor show da minha vida e não adianta eu colocar um video com imagens, nada vai ser como foi. Perfeito.

É interessante que no meio da multidão eu conseguia ver muitas tiazinhas, com seus cinquenta ou sessenta anos dançando, cantando e dando tchauzinho para o Paul. Talvez essas mesmas velhinhas estivessem ali , como eu também estive no show dos Backstreet boys, voltando ao passado. Eu as olhava e pensava exatamente isso. Invejava a superioridade do passado delas frente ao meu, pois, no palco, não via piscadas ensaidas, dancinhas para compensar a falta de poesia, pelo contrário. Estar ali, boquiaberta com a qualidade do show- que durou três horas initerruptas, vendo um profissional cuidadoso tocar vários instrumentos com perfeição e vendo que a letra de “Blackbird” é, de fato, poesia pura, me fez sentir e dizer: Caralho, é o Paul Mccartney! E naquele momento as velhinhas sumiram, e as 40 mil pessoas também e eu estava ali, em San Francisco - a capital mundial dos anos 60,  sozinha com Paul MCcartney.

O mais interessante disso tudo é que, em meio ao momento de  felicidade,  pude lembrar de algo que já havia, talvez pela rotina auperiana,  me esquecido: que o sonho maior que realizo é o de estar aqui na américa. Sonho que sonhei por toda a minha vida, mesmo que timidamente as vezes, sonho este que, ainda que sofrido as vezes, me abre portas para outros sonhos como esses que acabei de descrever. Quantas pessoas podem dizer que tiveram um sonho realizado? Umas 40 mil? Não sei, talvez mais. O que sei é que eu posso.



terça-feira, 6 de julho de 2010

Somewhere over the rainbow

Até agora não escrevi um post sequer falando sobre minhas viagens por aqui, isso é bem estranho tendo em vista que este é um blog de intercambista. O que acontece é que, geralmente, volto tão cansada das viagens que acabo deixando para depois o post -o qual nunca sai no final. Um outro motivo de não escrever, advem do fato de me achar inexperiente para tanto. Fico, ou ficava, pensando que alguém para produzir um texto dando dicas e relatos sobre um determinado ponto turistico deve conhecer muito bem o assunto e não ser marinheiro de primeira viagem como eu sou. No entanto, o que percebo com o passar do tempo é que até o mínimo conhecimento já é alguma coisa e já pode ser valioso para alguém. Daí,só para concluir o preâmbulo,  resolvi escrever meu primeiro post "Guia Frommer" e  não poderia começar por lugar melhor, pela terra do arco-iris: Hawaii.
Passei quatro dias em Honolulu com mais duas amigas, saimos de San Francisco no dia 30 e voltamos na madrugada do dia 5. A viagem é bem longa, ainda que seja o mais curto trajeto em território americano, 5 horas e meia para ir. Há uma diferença de horário de quatro horas entre os dois estados. O que para quem está indo é maravilhoso, saimos as nove da noite e chegamos a meia noite lá. Porém, para a volta é mais confuso e cansativo, é o caminho inverso,  saimos de lá  também as nove e chegamos aqui as quatro e meia da manhã.
Escolhemos Oahu por ser a ilha mais barata e também a mais agitada. Ficamos em Waikiki, que é o lugar do "fervo", cheio de gente, lojas, prédios, etc. o que te faz até esquecer que está numa ilha as vezes.  Nesse ponto, o aluguel de um carro foi fundamental, pois podiamos passear por toda a ilha conhecendo várias praias, algumas praticamente desertas. Em quatro dias de viagem gastamos U$ 33,00 de gasolina ($11,00 por pessoa), o que não é nada tendo em vista o quanto rodamos. De ínicio eu estava em dúvidas se valeria a pena alugar um carro, depois da experiência afirmo que este foi essencial, valeu cada centavo ( que nem foi muito no final).
Entre as praias que conheci o destaque vai para Hanauma bay, lugar extremamente lindo, patrimonio natural do Hawaii, propicio para quem deseja praticar snorkling. Foi a única praia em que pagamos para entrar (7,50). Para quem deseja ver os peixinhos e corais de perto é possível alugar  o equipamento completo de snorkling por U$ 9,00, dentro da praia mesmo. Para quem, como eu, não leva muito jeito para a coisa, vale a pena simplesmente tirar várias fotos e deitar para tomar um sol. Uma dica: leve agua e comida, pois não há lugar para comprar na praia.
Fora visitar praias lindíssimas com aguas de um azul inigualável, há muita coisa para se fazer em Honolulu. E este talvez seja um dos  pontos que tornam o Hawaii um lugar único.Dentre as diversas opções:  cruzeiros, passeio de helicoptero pela ilha, vulcão,etc., acabei ficando com o tradicional Luau  e o curioso passeio de submarino. Não há como visitar Hawaii sem participar de um luau, mas esqueça toda aquela imagem de "baile do havaí" no country club da sua cidade, de parecido só a roupa e os colares. Ao invés das frutas espalhadas pelo salão, no verdadeiro Luau o que encontramos é uma festa a céu aberto, em uma praia privada, com muita comida e bebida, música típica e show de dança. Esta é a  forma mais divertida de se entrar em contato com a cultura polinésia, valeu cada centavo gasto (o que não foi pouco, o lual mais barato não sai por menos de U$ 60,00).
Quanto ao passeio de submarino, não tive a mesma sensação de dinheiro bem gasto, embora tenha gostado muito também. Talvez porque o tempo que passei  dentro do veiculo (45 minutos) tenha corrido muito depressa. Mas confesso que a sensação de estar a 69 feets (aprox. 22 m)  no fundo do mar é bem interessante.
Não podia terminar esse post sem falar daquele que considero o ponto mais forte do Hawaii: o povo. A sensação de ser bem acolhido é latente, eles realmente sabem como produzir turismo. Seja pelas milhares de lojas ABC com souvenirs espalhadas em cada rua da cidade,seja pela organização, seja pelo tom amigável com que nos tratam ou simplemente pelo fato de lembrarem seu nome ( e de outras trinta pessoas mais no grupo) depois de uma noite de festa, o fato é que esse povo faz toda a diferença e faz você sentir: Poxa! que sonho, eu estou no Hawaii!
Quando chegamos na ilha  a primeira coisa que me deparei foi com uma placa de carro havaino, no fundo havia o desenho de um arco-iris. No dia seguinte logo ao amanhecer, depois de uma chuvinha fina que nos acompanhou durante os quatro dias de viagem pude perceber o porquê da placa: um lindo arco-iris estampado no céu. Talvez essa seja a explicação de nos sentirmos tão em paz nesse lugar, da água ser tão azul e do povo tão feliz. O Hawaii era algo tão distante para mim que nunca me autorizei a sonhar com isso, mas como diz a música:  Somewhere over the rainbow (...) Dreams really do come true, até aqueles que você nunca sonhou.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Unexpected

Sabe uma coisa que eu realmente gosto da minha vida de intercambista?
O Inesperado.
Estava eu deitada em minha cama americana barulhenta, tentando tirar uma nap pós-expediente, quando o telefone toca e alguém me pergunta: "O que está fazendo?"
Nessas horas, no Brasil, eu logo pensaria que alguém iria me chamar para alguma coisa que eu provavelmente não iria querer fazer, dai inventaria uma desculpa ao invés de falar a verdade: "Nada"
O que acontece é que aqui, em minha condição de estrangeira solitária, qualquer convite é válido ( ainda que seja para ir no posto de gasolina). Logo, tratei de atender e falar a verdade. Não fazia nada.
Já esperando pelo convite de ir a padaria da esquina, me surpreendi quando ouvi: "Tá afim de ver um jogo de basquete?"
Ora, se tinha uma coisa que queria muito fazer aqui além de viajar e estudar era ver um jogo da NBA. Não porque sou fã do esporte, mas porque não há nada mais americano que isso.
Não titubeei, aceitei na hora.
Corremos então, convites inesperados não dão muito tempo a você. Tinhamos que ir até Okland para ver o jogo que começava as 7:30  e já era 7:20 e ainda estavamos em San Mateo.
Com algumas confusões GPSisticas e parada em posto de gasolina conseguimos chegar ao destino.  Perdemos boa parte do jogo e, na ansia de não perder mais nada, queriamos pegar o primeiro lugar que encontrassemos. Lógico que, como os lugares são marcados,  fomos impedidos por alguém da segurança do estadio. Ainda bem.
O que não sabiamos é que os ingressos que haviamos ganhado eram para a aera VIP do estadio. Mais uma vez o Inesperado.  Não só assistimos ao jogo de um lugar privilegiadíssimo como  tivemos direito a comidinha.
O jogo foi bem legal, era entre o Golden State  Warriors e os Hornets (que não faço ideia de onde são). Os Warriors estavam perdendo quando cheguei, mas acabaram ganhando de 131x 121. Me senti jogando NBA Jam no SuperNes, com a diferença de que eu estava dentro do jogo, ou melhor, na plateia. Vi Cheerleaders, vi saltos incriveis, show do intervalo e até comi hot dog. Não podia ser melhor.
Acho que quando voltar ao Brasil vou rever meu conceito de atender telefonemas e aceitar convites. Dar mais chances ao Inesperado, desculpe o pleonasmo, é que nunca se sabe  o que virá.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

The same old thing..

(Semi revisado =P)

Um mês e pouquinho de Califórnia não é muita coisa, comparado a uma vida de São Paulo, mas é alguma coisa na rotina de alguém. Sendo assim, já tenho um cotidiano aqui, coisas que já me acostumo a fazer e tal.

Não vou ficar falando das coisas que não gosto de fazer, até porque são bem poucas. Falarei daquilo que de uma maneira afeta meu cotidiano e que, provavelmente por isso, sentirei falta quando voltar ao Brasil.

Como adoro "topificar" as coisas, colocarei tudo em forma de tópicos. Mas não necessariamente em uma ordem de melhor ou pior.... só mais organizada ( como diria uma amiga aqui, estou jennyzando- me -  mas explico o significado depois)

Here we go:

1. Good Library
É incrivel como tudo aqui funciona bem, e nesse sentido não seria diferente com a biblioteca pública. Eu, como letrista honrada, não poderia deixar de fazer visitas constantes a biblioteca pública de San Mateo. E fico encantada toda vez que vou lá, seja pelo excelente atendimento dos bibliotecários, seja pelo ar moderno e civilizado, ou porque simplesmente gosto de bibliotecas mesmo. Mas vejam se não estou certa: onde no Brasil um cidadão tem direito a levar até 50 livros, por 21 dias (podendo renovar por mais 21 - quem não acreditar dá uma olhada aqui http://www.cityofsanmateo.org/index.aspx?nid=519); quantas bibliotecas têm cafeteria onde podemos até almoçar; onde mais o sujeito tem computadores onde você mesmo faz o "check out" do que pegou (nem precisa dizer que isso não funcionaria no Brasil); em quantas bibliotecas encontramos filmes, seriados e cds famosos e podemos ficar com eles por uma semana?



2. Coffee Places
Caminhar no frio não é a coisa mais agradável do mundo, mas vale a pena quando em cada esquina encontra um Peet's ou um Starbucks. Coffee, Hot Chocolat, Mocca ou simplesmente um cupcake ou um coockie. Não tem coisa melhor



3. All with Cards
Vai por gazolina? Paga com cartão;Vai fazer um curso?Paga no cartão; Vai começar academia? Paga com cartão; Quer alguma coisa no avião? Paga com cartão. Pra tudo você pode usar seu cartão de crédito ou Debito.



4. Forver 21:
É uma das lojas mais legais e mais loucas aqui da area. Para quem gosta de moda e quem não quer gastar quase nada esse é o lugar. A primeira reação que tive quando entrei nessa loja era que só tinha roupa de maluco e coisa brega. E é verdade, você vai encontrar muita coisa estranha, mas também vai conseguir muita coisa estilosa por quase nada. Tem blusinha por U$4,00, casaco por U$24,00 e é bem legal passear e procurar coisas por aqui. É como uma caça ao tesouro, sempre tem alguma coisa perfeita, no seu tamanho, bem escondida no meio das roupas aleatórias. Dá para comprar na internet também, mas nada substitui o prazer da procura.



5. TJ Max and Ross
Você até gostaria de comprar roupas, bolsas e sapatos caros e de marcas famosas todo dia, mas não compra porque infelizmente precisa almoçar, jantar e pagar o aluguel. isso não é problema se você tem uma dessas lojas na sua cidade. Sabe aquele negocio de "estação' - não to falando de outono, primavera, verão ou inverno - do que estava na moda na até semana passada, mas hoje não está mais por alguma razão? Bom, aqui eles levam isso a sério e, por isso, você consegue encontrar muita coisa famosinha por um preço camarada em lojas que se dediquem a vender coisas de outra estação. A  TJ Max e a  Ross, por exemplo, são desse tipo de loja. Claro que você encontra muita coisa estranha (principalmente na segunda) por lá, mas também consegue "achados" maravilhosos. Sem contar que é bem divertido desenvolver seu espirito desbravador nos corredores das lojas - que são enormes, by the way. Dessa forma, visitas semanais aos dois estabelecimentos são mais do que frequentes a minha rotina. Foi em uma delas que adiquiri meu famoso tapetinho.



6. Wallgreens
Tá precisando de remédio? e alem disso, chocolate, fralda, salgadinho, maquiagem, suco, material para escritório, etc, etc, etc. Bom, no Wallgreens tem! E não é um supermercado, é uma farmácia (pelo menos é o que eles insistem em dizer). E o melhor, tem um em cada esquina, pior que PQ em São Carlos.


7. "Health" Food
Quando vim para cá recbi todos os conselhos possíveis sobre ter cuidado com a minha alimentação na terra do fast food. O susto foi quando vi que tudo aqui é "organico", salada pra todo lado e nada de açucar. Tá certo que isso tem muito mais a ver com a minha familia aqui. Mas mesmo assim, só come fast food quem quer,boa comida não é tão caro assim como pintavam o quadro no Brasil. Mesmo em restaurantes.



8. Finos e Elegantes

Sabe aquela imagem de filme, de que as pessoas tomam vinhozinho na tacinha sempre no jantar,de que estão sempre belas e maquiadas - mesmo de moletom e tenis-, de  não existe  fio de cabelo fora do lugar e que, para ir na padaria, você precisa sempre de um óculos escuro. Sabe? isso é real, pelo menos aqui na minha casa. As vezes enche um pouco o saco tanta finesa. As vezes eu acordo com vontade de ficar descabelada e de pijama o dia todo, mas tenho certeza que ainda sentirei falta de tudo isso quando voltar para minha vidinha de "Val Horse" lá Brasil.

9. Coockies
Não gostei dos Waffles, muito menos nos Donuts, ainda não provei as panquecas. Mas uma coisa é certa: I love coockies. E não preciso falar mais nada.









Esqueci de alguma coisa?


Ah.. e só para acrescentar algo mais em meu cotidiano, essa semana fiz minha inscrição na academia de ginástica (pelo menos agora meu tapetinho de Yoga terá alguma função). Vamos ver se volto aqui para contar algo sobre lá. Quem sabe eles também não mereçam um post. We'll see.

PS: E só para explicar a trilha sonora, That's 70 show é parte do meu cotidiano, é o que vejo todo dia antes de dormir. Poderia ter acrescentado um number 10 na lista com o titulo TV a cabo, mas não perco tanto tempo com isso assim.

Dá o play Macaco!


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

License to drive

Eu sempre fui rata de TV desde criança. Isso parou um pouco quando entrei na faculdade. Mas lembro que uma das coisas que mais gostava era sessão da tarde. Podem rir, mas eu adorava. Chegava da escola, almoçava, fazia dever - quando tinha - e ia pra frente da TV. Por tal razão tenho um bom conhecimento de cultura pop inutil dos anos 80, principalmente no que se refere a filmes dessa época. Isso porque era o que mais se encontrava na TV .

Um dos filmes que tenho na memória é com uma dupla de galanzinhos oitentistas que apareciam em tudo quanto é filme: Corey Haim e Corey Feldman. Sucesso repentino que acabou repentinamente também, com drogas e rocking roll... mais drogas que rocking roll.
Bom.. mas já estou fugindo do foco, o ponto chave é o filme: Sem licença para dirigir (License to drive em inglês). Nesse filme, o Corey principal não passa no exame de motorista (na California) e sai com o carro do pai, sem permissão, por ai.. com a Heather Graham.

O ponto central de todo esse preambulo é chegar a imagem que eu tinha do departamento de transito californiano: aterrorizante! Graças ao filme.( Quem quiser ver o motivo veja a cara da tia do DMV que aparece nos primeiros 30 segundos do trailer: http://www.youtube.com/watch?v=-Qowxjjh0Ks)

Enfim, assim fui hoje ao DMV de San Mateo. Guiada por minha prestativa amiga  Larissa e com medo da tia que nem existe. Ta certo que a tia que me atendeu lá não era dotada de muita beleza também, mas me tratou super bem. 

O processo é um pouco diferente do Brasil ( e certamente não funcionaria em terras tupiniquins). Preencho ficha, pago, pego a prova e vou para um canto fazer. Ninguém fiscalizando, um monte de gente aleatoria perto. Mas ainda assim não tive coragem de copiar nada, educação sabe.. e também para que, né?! Que adianta passar e não saber entender uma placa depois.
Mas enfim... trinta e seis questões e seis erros (eu só podia errar seis.. Ufa!) depois, consegui minha autorização para dirigir. Agora só falta fazer  a prova prática para ter minha carteira definitiva. Mas podem ficar tranquilos, não pegarei o carro do meu host father escondida nesse meio tempo, nem tenho uma Heather Graham na minha vida americana mesmo, ainda que tivesse (Argh!!!)

Ah.. ia esquecendo de contar .... abri uma conta no Bank of America. Agora me sinto mais americana do que nunca.
 =P

Dá o play Macaco!


sábado, 2 de janeiro de 2010

From the middle to behind....

Segundo o site da Aupaircare existem seis passos na vida de uma aupair. No momento eu me econtro do quinto passo "Pre-arrival". Os três primeiros passos não são muito interessantes visto que são, em ordem, inscrição no programa (applying), revisão e aceitação pela agência local - no meu caso a STB - e revisão e acietação pela Aupaircare . Esses primeiros passos se resumem em burocracia, formulários e papeladas. Com metade dos passos completos, passamos para a parte realmente interessante: Matching.


Esse é o momento em que começamos a entrar em contato com as possíveis  familias. É, na minha opinião, o passo mais importante. Para alguns dura uma eternidade, para outros dura uma semana. Tudo isso depende dos contatos que aparecerem e das relações com estes contatos. Dei inicio ao meu processo em agosto, mas só depois de um longo mês burocrático é que finalmente meu perfil ficou online na agência e as familias começaram a entrar em contato. 


A primeira familia a entrar em contato - no mesmo dia em que fiquei online - foi uma familia de Campbell Califórnia. Dois pais e duas bebezinhas. Uma familia um pouco diferente, mas que me surpreendeu pois, ao contrário do que eu imaginava, eram bem tradicionais e sérios. Bom paara aprender a não construir esteriótipos. Depois de trocar alguns e-mails acabei desistindo e, antes que possam vir a pensar algo, esclareço que nada teve com o fator homossexual da familia - na verdade fiquei até interessada na experiência- mas a familia não corrêspondia a muita coisa que esperava. 


A segunda familia surgiu duas semanas depois, eram de Strongsville, Ohio. Um casal com um menininho de  dois anos. Gostei do perfil da familia, me  assustei pelo possível fato de morar perto do Canadá e passar  muiiiito frio, mas a familia acabou desistindo antes mesmo de fazer a entrevista. Eis o e-mail que recebi da host-mother:






Dear Valeria,


Things have changed in our family and now we are not 100% certain about our au pair arrival date. It may be much later into 2010. We do not want to hold up your interviewing process with any families any further than we may have already! If you are still available once we finalize our au pair arrival dates, we will let you know and continue to get to know you.


We wish you good luck with all future endeavors and with another family if you match during the time we are unavailable!



Thank you!




Fiquei um pouco chateada e achando que não ia encontrar nenhuma familia, demorou quase um mês para outra familia aparecer. Nesse meio tempo fiquei conversando com familias que estavam fora da agência e só me apareceu gente problemática. Até que dia 3/10 - exatamente um mês depois de ficar online - e de começar meu "middle step" - apareceu a familia Vitro, minha terceira e última familia. Falarei deles mais tarde, mas o que posso adiantar é que pareço ter tirado a sorte grande. Analisando, do "meio para trás" creio que toda a burocracia inicial possa ter valido a pena e as duas primeiras  recusas também. Só me resta saber o que há do meio para frente agora.