quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Season finale

Há cerca de um ano, nessa mesma época, eu estava ansiosa. Estava sendo comida pela incerteza do que estava preparado para o próximo ano. Havia decidido ser aupair, havia contado para minha chefe,meus amigos,  meus pais, meu namorado, etc. A incerteza do meu futuro, do meu sucesso aqui, me corroia por dentro. As sensações de "Será que fiz a coisa certa?" "O que vai ser de mim?" não me deixavam dormir. Eu tinha uma vida muito boa, era feliz e estava crescendo. Por que então quis interromper tudo isso?
Naquele momento não tinha respostas, era meu "final de temporada" e como todo final de temporada, terminou em suspense, pois as respostas só chegariam  com os episódios seguintes.
Logo que cheguei aqui, nas minhas primeiras semanas já me arrependi da escolha feita. Não precisava disso. Não queria estar longe, não gostava dos hábitos, não gostava das pessoas. Mas continuei, tinha que buscar as respostas paras questões que nem tinha. Depois de um tempo essa incerteza e dor deu lugar a euforia, queria provar tudo, ver tudo e tocar tudo. Nesse meio tempo acabei esquecendo de mim mesma. Tentei ser alguém que não era, ter amigos que não eram meus e, lógico, não deu certo.
Depois de algum tempo o arrependimento voltou, o que fazia aqui? de que valia tudo isso? voltava a questionar mais uma vez. Dai, para o momento que em me encontro, muita coisa passou. Nesse meio tempo, fiz novas amizades, perdi algumas (ainda que não tivesse me dado conta disso no momento), conheci lugares incrivéis e outros nem tanto, me conheci um pouquinho mais, fui magoada e também magoei. Alguns, confesso, nem me importo em ter magoado, mas outros me arrependo até o ultimo fio de cabelo.
É engraçado esse negócio de arrependimento, muita gente enche a boca pra falar: "Não me arrependo de nada do que fiz". Tenho pena dessas pessoas, porque de duas uma: ou mentem e não são maduros o suficiente de adimitir que se pode errar e  aprender com o arrependimento, ou não fizeram nada de interessante com a própria vida.
Eu me arrependi de muita coisa aqui, tempo perdido com pessoas que não mereciam, viagens e gastos desnecessários, infantilidade, inconsequencias, preguiças, etc. Mas me orgulho de muita coisa também. E por mais que tenha ganhado um ano de saudade, um ano de sofrimento que não tinha, um ano de solidão e uma divida enorme no final do percurso, saio daqui feliz (e muita gente não consegue entender isso).
Feliz porque tive uma das experiências mais incriveis da minha vida no último fim de semana, feliz porque fiz amigas (quando já achava que não era possível) que vou levar para vida inteira. Feliz porque tive minha epifania e descobri o que já era obvio - ainda que tenha sido necessário passar por tudo isso para ter certeza. Parece cliche terminar a temporada com romance, ainda mais sendo eu a menos romantica das romanticas, mas é assim que essa termina. Meu saldo final, mesmo com as lagrimas e a divida, foi confirmar aquilo que sempre soube mas que ainda não tinha coragem para escancarar: tenho o homem da minha vida e ele me ama! E, por isso, de verdade, não me importo com mais nada.
Se conseguirei pagar o que devo, provavelmente sim. Se o homem da minha vida vai continuar comigo, espero que sim! No fim das contas, isso não importa agora, é assunto pra próxima temporada, pois essa, termina aqui!





segunda-feira, 1 de novembro de 2010

California Girl

When I first started this blog I wrote something about California and its songs. I remember how amazed I was by the number of songs written for the Golden State.


This morning, waking up after my first - and maybe the only one- night of Halloween, with a huge Californian nostalgia, I decided  listen all the old classic songs about Cali, and the newest classics too.

Between Beach Boys, Eagles, Neil Young, Phanton Planet and Kate Perry, I could realize how the songs, right now, make so much more sense to me. Even the bad ones.

I'm leaving California in thirty days, and, more than changing the "t" for "d" in words like "thirty"; saying no "t" sound in words like "Sacramento", wearing fip-flops with pants or going to the beach and keeping the cardigans on, cheering for the SF Giants, making fun of the east coast people, enjoying jogging practice and other healthy habits, etc. I'll take from this place lots of memories, the best and the worst ones in all my life, but, besides that, a great feeling of making part of it.

Maybe not like the Kate Perry song, or even the Beach Boys one, maybe like Neil Youngs or another one that is gonna be written, what I wanna say is, one way or another, even with a poor comand of English and the whitest skin ever, I always gonna be  a California Girl.


Neil Young - California Sunset - ACL 25.9.1984.dkly`
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sábado, 2 de outubro de 2010

20 poucos anos...

Não tenho paciência mais para multidões, apertos e baladas (que não sejam especiais).
 Tenho poucos amigos.
Gosto de sentar tomar um vinho ou uma cerveja e conversar.
Gosto de cozinhar.
Sair para comer não significa, em hipótese alguma, ir ao McDonalds.
Ainda não tenho certeza se escolhi a profissão certa.
Nunca estive tão por minha conta. Gosto disso;  ainda que as vezes assuste.
Nunca fui tão dona de mim, ainda que me  escape com certa frequência.
Tenho vontade de jogar tudo para o alto as vezes.
Tenho medo de não conseguir fazer dinheiro.
Tenho medo de fazer dinheiro mas, ainda assim, ser infeliz.
Quero conhecer o mundo e viver tudo ao mesmo tempo; mas tenho preguiça as vezes.
Quero casar e ter familia, mas também não quero.
Faço coisas que até eu duvido.
Tenho medo de como o tempo passa rápido.
Tenho nostalgia .
Penso que toda crise adolescente é imbecil. Mas também tenho certeza que daqui alguns anos vou olhar para tudo aqui e encarar da mesma forma.  

Escrevia um post gigante, cheio de explicações, teorias, exemplos e citações. Mas percebi que não precisava muito para montar minha "lira dos vinte e poucos anos"

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Oh! The Places You’ll Go!

(by the incomparable Dr. Seuss)

Congratulations!
Today is your day.
You’re off to Great Places!
You’re off and away!

You have brains in your head.
You have feet in your shoes.

You can steer yourself any direction you choose.
You’re on your own. And you know what you know. And YOU are the guy who’ll decide where to go.



You’ll look up and down streets. Look’em over with care. About some you will say, “I don’t choose to go there.” With your head full of brains and your shoes full of feet, you’re too smart to go down a not-so-good street.

And you may not find any you’ll want to go down. In that case, of course, you’ll head straight out of town. It’s opener there in the wide open air.
Out there things can happen and frequently do to people as brainy and footsy as you.

And when things start to happen, don’t worry. Don’t stew. Just go right along. You’ll start happening too.



Oh! The Places You’ll Go!



You’ll be on your way up!
You’ll be seeing great sights!
You’ll join the high fliers who soar to high heights.



You won’t lag behind, because you’ll have the speed. You’ll pass the whole gang and you’ll soon take the lead. Wherever you fly, you’ll be best of the best. Wherever you go, you will top all the rest.

Except when you don’t.
Because, sometimes, you won’t.

I’m sorry to say so but, sadly, it’s true that Bang-ups and Hang-ups can happen to you.

You can get all hung up in a prickle-ly perch. And your gang will fly on. You’ll be left in a Lurch.

You’ll come down from the Lurch with an unpleasant bump. And the chances are, then, that you’ll be in a Slump.
And when you’re in a Slump, you’re not in for much fun. Un-slumping yourself is not easily done.

You will come to a place where the streets are not marked. Some windows are lighted. But mostly they’re darked. A place you could sprain both your elbow and chin! Do you dare to stay out? Do you dare to go in? How much can you lose? How much can you win?
And if you go in, should you turn left or right…or right-and-three-quarters? Or, maybe, not quite? Or go around back and sneak in from behind? Simple it’s not, I’m afraid you will find, for a mind-maker-upper to make up his mind.
You can get so confused that you’ll start in to race down long wiggled roads at a break-necking pace and grind on for miles across weirdish wild space, headed, I fear, toward a most useless place.

The Waiting Place…for people just waiting.

Waiting for a train to go or a bus to come, or a plane to go or the mail to come, or the rain to go or the phone to ring, or the snow to snow or waiting around for a Yes or No or waiting for their hair to grow. Everyone is just waiting.

Waiting for the fish to bite or waiting for wind to fly a kite or waiting around for Friday night or waiting, perhaps, for their Uncle Jake or a pot to boil, or a Better Break or a string of pearls, or a pair of pants or a wig with curls, or Another Chance. Everyone is just waiting.
No! That’s not for you!

Somehow you’ll escape all that waiting and staying. You’ll find the bright places where Boom Bands are playing. With banner flip-flapping, once more you’ll ride high! Ready for anything under the sky. Ready because you’re that kind of a guy!


Oh, the places you’ll go! There is fun to be done! There are points to be scored. There are games to be won. And the magical things you can do with that ball will make you the winning-est winner of all. Fame! You’ll be famous as famous can be, with the whole wide world watching you win on TV.

Except when they don’t. Because, sometimes, they won’t.
I’m afraid that some times you’ll play lonely games too. Games you can’t win ‘cause you’ll play against you.


All Alone!

Whether you like it or not, Alone will be something you’ll be quite a lot.

And when you’re alone, there’s a very good chance you’ll meet things that scare you right out of your pants. There are some, down the road between hither and yon, that can scare you so much you won’t want to go on.
But on you will go though the weather be foul. On you will go though your enemies prowl. On you will go though the Hakken-Kraks howl. Onward up many a frightening creek, though your arms may get sore and your sneakers may leak. On and on you will hike. And I know you’ll hike far and face up to your problems whatever they are.

You’ll get mixed up, of course, as you already know. You’ll get mixed up with many strange birds as you go. So be sure when you step. Step with care and great tact and remember that Life’s a Great Balancing Act. Just never forget to be dexterous and deft. And never mix up your right foot with your left.

And will you succeed?

Yes! You will, indeed!

(98 and ¾ percent guaranteed.)

Kid, you’ll move mountains!

So…be your name Buxbaum or Bixby or Bray or Mordecai Ale Van Allen O’Shea, you’re off to Great Places!

Today is your day!

Your mountain is waiting.

So…get on your way!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Guia Frommer

No último post falei sobre estar, agora que se finda minha jornada, ironicamente, vivendo o melhor desta. Enquanto eu, como disse Tati, descrevi "poeticamente" esse momento, meu querido Guilherme o explicou cientificamente, dizendo que essa era uma das tipicas fases, já por ele estudadas, da vida de um intercambista. Cientificamente ou poeticamente, não importa, o interessante é que a epifania desse momento me despertou para fazer mais do que já fazia, de planejar ainda mais longe do que já planejava e, o melhor de tudo, de conhecer ainda mais o que não conheço. Dai fiz o que todo turista tipico  faz e que eu, nada tipicamente nada, ainda não tinha feito: comprei guias de viagem. Na verdade, na verdade não os comprei, sou au pair não posso ficar gastando dinheiro assim. Mas fui na biblioteca e voltei com milhares deles.
A intenção inicial era me preparar para New York, Washington e Philadelphia - que visitarei nessa semana- mas porque não descobrir mais coisas sobre San Francisco e o Golden State antes?

The Haight
 Procurando lugares e coisas  para fazer em SF, não turisticamente óbvias, foi que me deparei com The Haight, o quarteirão Hippie, da capital hippie do mundo, nas decadas hippies de 60 e 70.
Realmente, caminhar pelas ruas do bairro é voltar algumas decadas, nas quais eu nem vivi: as lojas e as pessoas mais alternativas possiveis, somadas ao cheiro de incenso, ao ambiente interno indiano e as pinturas psicodélicas nas fachadas quase  fazem você querer colocar uma bata, óculos escuros, um par de chinelos e dizer "peace and love".

Eu e Elise em uma das paredes do The Haight
Os preços nas lojas não são muito convidativos- nada de hippie nesse aspecto- mas se procurar bem dá para fazer alguma pechincha, como no caso da loja de lenços e cachecóis indianos em que consegui comprar uma "scarf" de $7,00 por $4,00. Só tome cuidado com sua cabeça e outras partes ao sair dos estabelecimentos, pois eu recebi um presentinho vindo dos céus, mais especificadamente, da cloaca de uma pomba.
Visitar The Haight não é algo tão tipico de turistas de passagem rápida, mas é definitivamente algo necessário para quem fica por aqui por algum tempo. É viajar um pouco no tempo e respirar, além do incenso, um pouco de história pop.

Alamo Square
Se em The Haight respirei história, o que dizer, então, sobre a famosa Alamo Saquare. Essa, sim, parada obrigatória de turistas. Quem nunca viu as famosas "Painted Ladies" em algum filme? O que muitos não sabem é a história por traz delas. As casas vitorianas, como também são conhecidas, foram as únicas "sobreviventes" de um terremoto em 1906 que devastou San Francisco. A cidade toda queimou, mas as senhoras resistiram firmes e fortes e estão até hoje em pé para contar ´- ou mostrar- história.

The burning of San Francisco, April 18, 1906, view from St. Francis Hotel.

Date 18 April 1906(1906-04-18)
Source Panoramic photographs, Libary of Congress, Reproduction Number: LC-USZ62-130410

Painted Ladies

Monterey, Pacific Grove, Carmel e Big Sur

Todo mundo que vem para Califórnia sonha em um dia poder cruzar o estado dirigindo pela costa. Não é necessário muito dinheiro para isso, tendo em vista que aluguel de carro e gasolina são bem baratos por aqui. Fora isso, existe, ou melhor, não existe, o fator pedágio. Diferente do Brasil onde pedágio é igual a número de ex-BBBs - a cada ano cresce mais- aqui, raramente, se encontra um pedágio na estrada - que são maravilhosas por sinal. Entretanto, são necessários alguns dias para cumprir tal façanha; eu, que não disponho desses dias, aproveitei meu domingo para fazer pelo menos uma parte dessa jornada pela State Route 1.
Passei por Monterey, uma cidade conhecida por um famoso aquário maritmo e por ser ponto de encontro de mergulhadores profissionais ou não. Em seguida fui a Pacific Grove onde encontrei uma praia muito bonita, cheia de pedras, chamada "Lovers Point" , o lugar tem esse nome por servir de cenário para vários casamentos. Depois de Pacific Grove , dirigimos pela highway em direção ao chamado Big Sur e, de pouco em pouco,  fomos parando na estrada para apreciar a paisagem e tirar algumas fotos.
Pacific Grove-CA

State Route 1  Big Sur-CA


Na volta, passamos por Carmel e, lá, entrei novamente em contato com o passado, pois visitamos uma das missões religiosas históricas da Califórnia, bem parecido com o que temos ai na América do Sul. Sempre que faço esse tipo de "turismo religioso" me dá uma sensação estranha, um misto de calma, paz e assombro. Díficil de explicar.
Caminhando pelos escuros corredores da igreja encontramos uma biblia antiga em latim, me lembrei das minhas "aulas" de Latim (que de latim e de aula não tinham nada). Assustada fiquei mesmo quando, comentando com minha amiga Nancy que eu já havia estudado um pouco de latim no Brasil, ela me disse: - Eu Também estudei, durante dois anos, mas não na universidade, na escola mesmo.  Imaginem minha cara, né. Só podia dizer uma coisa: Irene pulchra est!

Essa semana parto em direção a "East Coast", vou visitar New York e arredores. Já li e reli meus guias de viagem. Como serei turista passageira por lá, visitarei apenas os lugares mais famosos, deixando muita coisa sem ser vista. Mas tenho certeza que volto com muita história e fotos e com vontade de procurar mais cantinhos franciscanos e californianos pelo Guia Frommer.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A melhor parte

O tempo passa rápido, isso já é algo batido, não? Me dei conta outro dia de que já cumpri mais da metade da minha jornada americana e, agora que essa metade se foi, parece que tudo passa ainda mais rápido. Lembro-me que uma vez que alguém me disse que a segunda parte do programa é a melhor, já passou  a euforia, já passou a fase "homesick" e dai vem o "have fun" consciente. Eu só tenho que concordar.
Hoje conversando com a minha host mother sobre a minha volta (que pode até ser antecipada por razões lógisticas que não me oponho nenhum pouco) senti um frio na espinha que me dizia: está acabando e agora?
Terminada a conversa agarrei meu Ipod, meu óculos de sol e fui pra academia e depois caminhar. Inevitavelmente, enquanto pedalava, refletia sobre tudo que fiz e passei desde que cheguei aqui. Tentei lembrar dos planos que havia feito quando sai do Brasil, do(s) intuito(s) da minha viagem: Praticar inglês? Auto-conhecimento? Aprimoramento profissional? Férias da vida? Era tudo isso e nada disso.
Na verdade eu não tinha um intuito concretamente pré-definido -  e, ainda que tivesse, ele mudaria - só sabia que devia vir pra cá. E vim.
 Avaliando o "até agora", sinto orgulho de mim. Fiz tudo o que me propuz a fazer (ainda que não tenha me proposto a fazer nada). Ganhei dinheiro e  gastei tudo sem ressentimento. Estudei, mas também não. Me perdi, mas também me encontrei. Fiquei só, mas também fiz (e estou fazendo) interessantissimas amizades. Me decepcionei com alguns, mas me surpreendi com outros. Tive dúvidas, mas encontrei certezas que nem sonhava. Sofri muitíssimo, mas também tive momentos felicíssimos.
Voltando da academia estiquei minha caminhada, não queria mais voltar pra casa. O sol queimava gostoso, sol californiano, sabe?! Não é nem quente demais, nem de menos. É morno, gostoso, como aquela água aquecida que você entra e não quer sair mais. Me dei conta que essa podia ser uma das ultimas vezes que sentia tal sol este ano, visto que o verão está acabando.  Parei por um minuto, ouvia Cranberries, e fiquei adimirando tudo. Me deu uma dorzinha, o frio na espinha de novo, tá acabando. De repente, esse sentimento mudou e, estranhamente, parecia que tudo era novo, de novo;  que eu acabara de chegar e que tinha muito a fazer e ver. Guardei esse sentimento comigo, e, ironicamente, agora que sei que o fim da jornada se aproxima, começo tudo novamente. O mesmo intusiamo inicial, com menos euforia talvez, mas com a experiência de quem já viveu a parte boa ( e a ruim  também) e que, agora, dá inicio a melhor.



sexta-feira, 16 de julho de 2010

Daydream believer

Quantas pessoas podem dizer que tiveram um sonho realizado? Não estou falando de sonhos palpáveis como um carro, uma casa ou uma bicicleta – ainda que estes possam causar a mesma sensação. Quando digo sonho penso em algo ingênuo, que de tão bobo parece que nunca vai se concretizar e que, por isso, é satisfeito só na imaginação. É como se o simples de devanear fosse suficiente. E esse tipo de sonho é tão particular que só pode fazer sentido para aquele que o sonhou.

Indo nesse sentido, da particularidade do sonho, posso afirmar que, embora tenha tido um “great time” em Honolulu, este não foi o ponto mais alto de minhas três últimas semanas. Semanas essas bem agitadas por sinal.

Tudo começou no domingo dia 27 de junho quando, sozinha, fui a San Francisco para realizar um sonho de infância: ver os Backstreet boys. O interessante é que tive exatamente aquilo que queria: os Backstreet boys, como nos anos 90. Ainda que com um Nick mais velho, um AJ mais careca e mais gordo, eram eles; os mesmos “meninos”, as mesmas danças, as mesmas músicas, as mesmas piscadas ensaiadas e as mesmas meninas gritando. Voltei ao tempo, sim. Achava isso impossível, mas foi como me senti. Cantei todas as músicas, dei tchauzinho para o Brian e consegui até me ver chegando na escola no dia seguinte, contando para a Carla, a Jéssica, a Larissa e o Eder que eu havia visto um show do Backstreet boys. Conseguia imaginar as duas primeiras me perguntando tudo sobre eles, a terceira me dizendo “uou” e falando que ainda iria em um show do Hanson em Milwaukee, e o terceiro, zombando da masculinidade e da qualidade musical do grupo. Como era um sonho de infância, logo depois do final da apresentação veio o sentimento de melancolia, mas o interessante é que ele veio de uma forma doce e suave, acompanhado pela sensação de “Yes, I did it!”

É estranho como sentimentos que parecem apagados dentro de você podem renascer assim que provocados. Não gosto mais de bsb, óbvio, cresci, mas naquele momento era como se eu ainda tivesse minha coleção de posters e fotos comigo. É como se eu ainda escrevesse milhares de cartas para ganhar qualquer coisa que fosse deles. É como se eu ainda acreditasse que a letra de “as long as you love me” fosse o poema mais lindo do mundo.

Tres dias depois do show eu estava no Hawaii realizando um sonho, como dito no post anterior, não sonhado e que por isso, ainda que perfeito, de impacto menor. Cinco dias apos o Hawaii eu voltaria a San Francisco, mais uma vez sozinha, para viver aquele que pra mim foi um dos pontos mais altos de meu intercambio até agora.

Quando eu, com meus 16 ou 17, anos decidi que já era hora de parar com a história de Nick e Brian pra cá e pra lá, tentei radicalizar e buscar um outro idolo que fosse o oposto daquilo que ouvia até então. Foi quando comecei a ouvir Nirvana; mas é aquela coisa, amor forçado não é amor por muito tempo. Minha fase grunge não durou mais que seis meses. Decidi, então, que não ter idolos seria o melhor a fazer, e, hoje confesso, foi a decisão mais sensata que já tive. Entretanto, é quando não se busca amor que ele aparece, pelo menos sempre foi assim comigo. E foi em meio a esse mundo sem idolatrias que comecei a, meio que sem querer querendo, escutar Beatles. Paixão a primeira vista, ou a primeira ouvida. Mas nada de idolatrias absurdas dessa vez, nada de fotos e coleções. O simples prazer de escutar a boa música me bastava, e, realmente, não se faz necessário mais nada.

Se estar em um show dos Backstreet boys era algo impossível, embora sonhado, estar num show dos Beatles era algo querido mas inimaginável, tendo em vista que metade nem mais vive. Não se tratava de qualquer idolo, mas de idolos maiores, não meus, mas do mundo. Idolos dos idolos. Dai, vocês podem imaginar a sensação de estar sentada olhando para um pontinho branco e preto num palco e em seguida para um telão e vendo que ali, com uma simpatia descomunal, uma qualidade inigualável, estava ninguém menos que Paul Mccartney. Não, vocês não podem. Talvez as 40 mil pessoas que me acompanhavam possam, mas vocês não podem. Porque não há como descrever, não há como colocar aqui. Não basta dizer que lagrimas rolaram, não basta dizer que foi o melhor show da minha vida e não adianta eu colocar um video com imagens, nada vai ser como foi. Perfeito.

É interessante que no meio da multidão eu conseguia ver muitas tiazinhas, com seus cinquenta ou sessenta anos dançando, cantando e dando tchauzinho para o Paul. Talvez essas mesmas velhinhas estivessem ali , como eu também estive no show dos Backstreet boys, voltando ao passado. Eu as olhava e pensava exatamente isso. Invejava a superioridade do passado delas frente ao meu, pois, no palco, não via piscadas ensaidas, dancinhas para compensar a falta de poesia, pelo contrário. Estar ali, boquiaberta com a qualidade do show- que durou três horas initerruptas, vendo um profissional cuidadoso tocar vários instrumentos com perfeição e vendo que a letra de “Blackbird” é, de fato, poesia pura, me fez sentir e dizer: Caralho, é o Paul Mccartney! E naquele momento as velhinhas sumiram, e as 40 mil pessoas também e eu estava ali, em San Francisco - a capital mundial dos anos 60,  sozinha com Paul MCcartney.

O mais interessante disso tudo é que, em meio ao momento de  felicidade,  pude lembrar de algo que já havia, talvez pela rotina auperiana,  me esquecido: que o sonho maior que realizo é o de estar aqui na américa. Sonho que sonhei por toda a minha vida, mesmo que timidamente as vezes, sonho este que, ainda que sofrido as vezes, me abre portas para outros sonhos como esses que acabei de descrever. Quantas pessoas podem dizer que tiveram um sonho realizado? Umas 40 mil? Não sei, talvez mais. O que sei é que eu posso.



terça-feira, 6 de julho de 2010

Somewhere over the rainbow

Até agora não escrevi um post sequer falando sobre minhas viagens por aqui, isso é bem estranho tendo em vista que este é um blog de intercambista. O que acontece é que, geralmente, volto tão cansada das viagens que acabo deixando para depois o post -o qual nunca sai no final. Um outro motivo de não escrever, advem do fato de me achar inexperiente para tanto. Fico, ou ficava, pensando que alguém para produzir um texto dando dicas e relatos sobre um determinado ponto turistico deve conhecer muito bem o assunto e não ser marinheiro de primeira viagem como eu sou. No entanto, o que percebo com o passar do tempo é que até o mínimo conhecimento já é alguma coisa e já pode ser valioso para alguém. Daí,só para concluir o preâmbulo,  resolvi escrever meu primeiro post "Guia Frommer" e  não poderia começar por lugar melhor, pela terra do arco-iris: Hawaii.
Passei quatro dias em Honolulu com mais duas amigas, saimos de San Francisco no dia 30 e voltamos na madrugada do dia 5. A viagem é bem longa, ainda que seja o mais curto trajeto em território americano, 5 horas e meia para ir. Há uma diferença de horário de quatro horas entre os dois estados. O que para quem está indo é maravilhoso, saimos as nove da noite e chegamos a meia noite lá. Porém, para a volta é mais confuso e cansativo, é o caminho inverso,  saimos de lá  também as nove e chegamos aqui as quatro e meia da manhã.
Escolhemos Oahu por ser a ilha mais barata e também a mais agitada. Ficamos em Waikiki, que é o lugar do "fervo", cheio de gente, lojas, prédios, etc. o que te faz até esquecer que está numa ilha as vezes.  Nesse ponto, o aluguel de um carro foi fundamental, pois podiamos passear por toda a ilha conhecendo várias praias, algumas praticamente desertas. Em quatro dias de viagem gastamos U$ 33,00 de gasolina ($11,00 por pessoa), o que não é nada tendo em vista o quanto rodamos. De ínicio eu estava em dúvidas se valeria a pena alugar um carro, depois da experiência afirmo que este foi essencial, valeu cada centavo ( que nem foi muito no final).
Entre as praias que conheci o destaque vai para Hanauma bay, lugar extremamente lindo, patrimonio natural do Hawaii, propicio para quem deseja praticar snorkling. Foi a única praia em que pagamos para entrar (7,50). Para quem deseja ver os peixinhos e corais de perto é possível alugar  o equipamento completo de snorkling por U$ 9,00, dentro da praia mesmo. Para quem, como eu, não leva muito jeito para a coisa, vale a pena simplesmente tirar várias fotos e deitar para tomar um sol. Uma dica: leve agua e comida, pois não há lugar para comprar na praia.
Fora visitar praias lindíssimas com aguas de um azul inigualável, há muita coisa para se fazer em Honolulu. E este talvez seja um dos  pontos que tornam o Hawaii um lugar único.Dentre as diversas opções:  cruzeiros, passeio de helicoptero pela ilha, vulcão,etc., acabei ficando com o tradicional Luau  e o curioso passeio de submarino. Não há como visitar Hawaii sem participar de um luau, mas esqueça toda aquela imagem de "baile do havaí" no country club da sua cidade, de parecido só a roupa e os colares. Ao invés das frutas espalhadas pelo salão, no verdadeiro Luau o que encontramos é uma festa a céu aberto, em uma praia privada, com muita comida e bebida, música típica e show de dança. Esta é a  forma mais divertida de se entrar em contato com a cultura polinésia, valeu cada centavo gasto (o que não foi pouco, o lual mais barato não sai por menos de U$ 60,00).
Quanto ao passeio de submarino, não tive a mesma sensação de dinheiro bem gasto, embora tenha gostado muito também. Talvez porque o tempo que passei  dentro do veiculo (45 minutos) tenha corrido muito depressa. Mas confesso que a sensação de estar a 69 feets (aprox. 22 m)  no fundo do mar é bem interessante.
Não podia terminar esse post sem falar daquele que considero o ponto mais forte do Hawaii: o povo. A sensação de ser bem acolhido é latente, eles realmente sabem como produzir turismo. Seja pelas milhares de lojas ABC com souvenirs espalhadas em cada rua da cidade,seja pela organização, seja pelo tom amigável com que nos tratam ou simplemente pelo fato de lembrarem seu nome ( e de outras trinta pessoas mais no grupo) depois de uma noite de festa, o fato é que esse povo faz toda a diferença e faz você sentir: Poxa! que sonho, eu estou no Hawaii!
Quando chegamos na ilha  a primeira coisa que me deparei foi com uma placa de carro havaino, no fundo havia o desenho de um arco-iris. No dia seguinte logo ao amanhecer, depois de uma chuvinha fina que nos acompanhou durante os quatro dias de viagem pude perceber o porquê da placa: um lindo arco-iris estampado no céu. Talvez essa seja a explicação de nos sentirmos tão em paz nesse lugar, da água ser tão azul e do povo tão feliz. O Hawaii era algo tão distante para mim que nunca me autorizei a sonhar com isso, mas como diz a música:  Somewhere over the rainbow (...) Dreams really do come true, até aqueles que você nunca sonhou.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Insonia

Não sou de ter insônia frequentemente, na verdade, no que se refere a sono, não tenho do que reclamar;  durmo bem, sem muito esforço e não tenho tanto problema para acordar. Mas hoje, graças a uma tosse do cão e um celular que apita a mensagem recebida quase 10 horas depois do que deveria, tive um momento de insonia. Isso me fez recorrer aos métodos que me fazem querer voltar a dormir: TV, ler, música e escrever. Como andava em divida com o blog, pulei a parte da TV e do ler e vim direto para o escrever, e, como adoro uma trilha sonora, o fiz escutando velharias do meu arquivo.  
Velharias, obviamente, me fazem lembrar do passado dai... dai ... segui o conselho da Tati e fui dormir. São 4 e meia da manhã, isso é hora de perder tempo com blog?!
Night! Night!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Postagem Homeopatica

Não posso mais ser acusada de não postar, o post que estou fazendo agora  me consome tanto que não consigo terminá-lo nunca. Não é porque seja bom não, pelo contrário, mas é que as vezes é dificil organizar idéias,passado, presente e futuro em um texto. Quando se escreve homeopaticamente, como estou fazendo no post atual, se pensa e repensa tanto que no fim não sai nada daquilo que se pensou. Complicado, né?!
E o pior de tudo isso é que talvez nem o publique.
Enquanto não o termino, tentarei aparecer aqui exporadicamente, nem que seja para simplesmente me explicar, ou para retomar o intuito inicial desse blog: contar sobre a vida de au pair viajante.
Veremos.

sábado, 5 de junho de 2010

Return of the living dead

After a long time without writing a word, here I am once again...

Since I arrived here I was promising to myself a post written in English. I'm a traveler in USA, waiting for the day which my English will be improved as I want. This day probably will never arrive; so, I thought that I could forget my pride, and shame, and, finally, write some few words.

Five months have passed since I left Brazil, with me, many things have passed too. Diferent kinds of feelings and experience, some that I already told, some that I will tell and some that I'll never tell. The funniest thing is that, it take so long time for you to understand that what you are doing is significant.

At this moment I think I got the best part of my journey, the part when I'm concious about what I am doing here, what I'm still able to do and what I, unfortunately, can't do. I'de lie if I said that the "nostalgia" (there's no good word for saudade) doesn't hurt me anymore, but I'm happy in say that it didn't kill me either.

The first thought that I had when I decided come to USA was to improve my English skills, you, readers and courious people, are probably surprised that I couldn't accomplish this goal yet. The answer my friends is that I didn't have idea, but my first goal here wasn't improve my English skills, it was, actually, to improve myself. And that is what I'm doing now.

For those who are able to do it, please, correct my mistakes. For those that are not able to do it, please, use the google translate. For everyone, able or not, I can't swear this is exactly how it happened. But this is how it felt.

sábado, 8 de maio de 2010

Lembraças alimenticias e o brunch

Toda vez que tenho saudades do Brasil (o que é quase todo dia) há sempre um pensamento alimenticio que permeia minhas lembranças. Não consigo pensar na minha casa e não lembrar dos torresminhos da minha mãe. Prazer suicida esse, mas que vale cada minuto de vida perdido e cada porcentagem ganha de colesterol.
Não consigo pensar no Chuchu e não lembrar de macarrão a bolonhesa, macarrão com atum, macarrão com frutos do mar, bife acebolado e milhares de outras refeições que já fizemos ( ou compramos) juntos. Quando penso no Guilherme lembro de sushi,  de cachaça, lembro do peixe da mãe dele  e do sashimi do pai. Quando lembro da minha irmã Aline lembro de macarrão à pizzaiolo, sempre que penso na  Jessica.. lembro... lembro... lembro  dela me pedindo para fazer alguma coisa para ela comer.
Há pessoas que estão tão diretamente conectadas a alimentos, seja pelo costume de faze-los, ou pelo fator regional, que as conexões ficam óbvias:  minha vó Otilia e o mousse de maracuja, Giovana e o pão de queijo, Dani e a Tapioca, Ingrid e o lanche do Trem Bão. Outros que a conexão só faz sentido na minha cabeça, como a Tati e o Quiche de alho poró, Vanessa e o Nescafé. Outros ainda que, de tão estranhos, chegam a ser engraçados, como Yuri e pão com ovo e a  Karina e suco Tang.  
Mesmo pessoas com as quais nunca tive muita intimidade culinária e/ou até profundidade afetiva tenho refeições para lembrar. Nem vou dizer de quem me lembro quando como, ou preparo,  uma paella, né.
Existem refeições que, ainda que simples, são capazes de reviver uma instituição, um momento ou uma época. Teria vários exemplos para colocar aqui - o salgado do PQ e a faculdade, o lanche do Doto e o CCAA, o chocolate suflair e a quase briga na oitava série, etc, etc - mas me prolongaria muito.
O interessante de toda essa reflexão, e o ponto ao que quero chegar, é que já consigo imaginar o que me fará lembrar do momento em que me encontro hoje.
 Sei que toda vez que comer comida mexicana e/ou italiana me lembrarei dos Vitro. Quando comer frozen yogurt me lembrarei do Nick, quando comer cookies da Jenny, peanut butter com geleia  da Madison, quando comer qualquer "snack" me lembrarei da Libby. Não serão os hamburguers, as batatas fritas e os dounuts que me lembrarão America, é o mocha, o ovo mexido e o bacon já citado, as panquecas com syrup, o cinnamon roll, as "berries",enfim,  o brunch!
Ah.. que saudades sentirei do brunch.
Depois me pergunto o porquê de ter engordado quase um quilo e meio desde que cheguei... a resposta que darei a partir de agora sobre esse questionamento estético será apenas uma: é que estou cheia de lembranças.

domingo, 4 de abril de 2010

Good Morning America!

Sabe aquele cheirinho de bacon fritando logo as 7 da manhã? A mesa posta com toda a familia esperando pelos ovos mexidos, o suco de laranja, algumas berries e os "cinnamon rolls"? Não dear fellows, isso não é imagem de um filme.Tal cena  realmente existe.
Claro que não é algo tão cotidiano como imaginamos ai no Brasil, mas é tão bonito ( e gostoso) quanto se pinta.Tenho o dom de apreciar coisas simples e transformá-las em grandes porque assim as senti. E no fim elas acabam tornando-se grandes, porque o que importa é o quanto significou e não o quao bonita pareceu na foto.
 Parece brega isso, mas é verdade: sou alguém que gosta da noite mas que tem um carinho especial pelas manhãs.  Sempre acho um disperdicio de vida dormir até as 11am. Neste sentido, tenho que dizer que por aqui ando aproveitando bem tais momentos. Acordar de manhã, tomar café com toda calma do mundo, ler um pouquinho, caminhar durante a semana e  fazer Yoga aos sábados. Hábitos que não tinha no Brasil mas que aqui, talvez pelo excesso de tempo livre, surgiram e que adorarei levar comigo.
Já não sei mais como vivi sem Yoga, sempre achei esse negócio de paz interior e equilibrio do corpo a maior baboseira do mundo. Já não acho mais.  (Isso não quer dizer que encontrei minha paz interior e estou caminhando  ao Nirvana - As if!- continuo a maluca de sempre, mas tenho que adimitir que me equilibrar em um só pé e ouvir musiquinha calma me faz um bem danado.
Caminhar pelas manhãs, seja em direção ao parque, biblioteca, academia ou simplesmente a coffee house é tão bom; ainda mais quando se escuta quase que o tempo todo "Good morning" ou quando um estranho simplesmente para pra conversar com vc. Nessas horas não fico triste por não ter carro aqui, pois, provavelmente, perderia boa parte disso. 
De ínicio eu pensava que os "good mornings" eram por eu estar, na maioria das vezes, com a Libby a tira colo. É facinante como as pessoas ficam mais felizes quando vêem uma criança, especialmente os mais pequenos. Os sorrisos se abrem desde longe e todo mundo tem que fazer alguma gracinha. Mas mesmo caminhando sozinha, que é o que faço nos fins de semana ou nas manhãs sem Libby, continuo a ouvir "good mornings" . As vezes respondo meio sem jeito porque não os esperava; a idéia pré-concebida do americano não incluia "good mornings". Ponto negativo para mim, que acreditei nessas ideias.
Eu não sei se o sabor do bacon e dos ovos que comi hoje de manhã estava realmente no produto em sí. Acredito que não. Penso que este estava muito mais   na forma como me foram preparados e apresentados. Com a sala de jantar organizada, com o casal feliz servindo as duas pequenas sentadas - felizes por terem caçado alguns ovos de pascoa-  e com o mais importante de tudo, ouvindo  algumas vozes dizendo "good morning, Val" e eu respondendo alto e claramente "Bom dia"  e interiormente, feliz,  sussurrando: Good Morning America!


Dá o play macaco!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Micro epifanias

Coisas que eu nunca imaginei que aconteceriam um dia e que aconteceram aqui:


-Gostar de música de criança ( e dançar “Rescue Pack” com passos de zumba)
-Dançar zumba ( e saber que isso existe)
- Usar um banheiro quimico ( e ter a porta aberta por um estranho na frente de meia San Francisco)
- Reprovar no exame prático de carro por não parar no stop sign ( e rir muito depois disso)
- Ler um livro inteiro em ingles (já li tres desde que cheguei)
-Descobrir que gosto do Little Mermaid da Disney no mesmo patamar de Pulp Fiction do Tarantino.
- Correr na rua que nem uma louca, fingindo que fazia jogging, só porque estava com frio.
- Descer de vestido em um escorregador no meio de uma balada (morro de medo de escorregadores desde criança).
-Descobrir que, ainda que goste de desenhar, nunca poderia trabalhar com isso.
- Gostar de ervilha
-Comer salada todo dia (como prato principal).
-Ter um twitter ( e gostar disso)
-Gostar de jornalismo ( e querer me aprofundar no tema).
- Descobrir que amo minha vida americana mas não ao ponto de querer ficar aqui para sempre.


- E que ainda tem muiiiiiiita coisa para acontecer no Brasil (e por isso não vejo a hora de voltar)

quarta-feira, 31 de março de 2010

Post desinteressante

Tinha feito um post, mentalmente, explicando minha ausência por aqui. Desisti dele, tomaria muito tempo que poderia ser gasto escrevendo algo mais interessante. E no fim, preguiça não tem explicação mesmo.



Esses ultimos dias não foram os mais produtivos do mundo, não no que se refere a viagens e a conhecer lugares e coisas novas. Se bem que isso depende muito do que entendemos como coisas novas. Durante os últimos dias vi alguns filmes novos, li um livro novo e comecei um curso novo. Tive novas reflexões sobre a minha pessoa e novas confusões também. Não entro em detalhe de nada - até porque não interessa mesmo- tirando a parte do livro, filme e curso.



Comecei meu curso em Stanford na última segunda-feira, foi uma experiência interessantíssima. Eu estava bem aflita pensando que não daria conta de entender nada ( e muito menos de ser entendida). Mas não, tudo deu certo. A professora é divertidíssima e a aula bem leve (tirando a parte em que tenho que ler um livro por semana). O interessante foi ver a humildade que encontrei por lá, cheguei com um certo preconceito trazido do Brasil. Estava acostumada com o ambiente literario-universitário-brasileiro (melhor, sancarlense) onde arrogância muitas vezes é mais importante que conhecimento. Aqui não vi arrogância alguma e, sim, vi conhecimento até mais profundo.



Por conta do curso, que é sobre literatura de mistério, fui e serei obrigada a ler muita coisa que nunca havia lido – mas que sempre tive curiosidade de ler. O primeiro livro discutido foi “A Study in Scarlet” do Doyle. Acho que já mencionei aqui anteriormente, é o primeiro livro em que o personagem Sherlock Holmes aparece. Por mais que conhecesse o personagem pela fama, nunca havia lido um livro sobre o detetive mais famoso do mundo. Confesso que gostei e agora quero mais. O que não será dificil por aqui, tendo em vista que a obra completa pode ser encontrada por menos de U$ 20,00.



Curiosamente, antes mesmo de terminar o livro ou de ir a aula fiz outra aquisição cultural interessante: o Netflix. É um sistema de “video-locadora” muito bom – que sentirei muita falta no Brasil. Escolho, por um site, o filme que quero assistir; há a opção (para alguns filmes) de ver online mesmo ou de pedir o DVD que chega em  casa sem custo algum. Pago uma quantia mensal de U$ 8,99 (baratissimo!) mas posso ver quantos filmes quiser durante o mês. Aproveitando o netflix e meu fim de semana parado decidi ver alguns filmes, entre eles Julie and Julia com Meryl Streep. Inspirador. Acordei no outro dia com vontade de cozinhar, de namorar e de escrever mais no blog.



A vontade de cozinhar eu matei logo em seguida, fazendo um(a) belo(a) omelete e tomando um vinhozinho dos hosts; pretendo agora comprar o livro da verdadeira Julia Child e testar algumas receitas (posso até vir aqui contar no blog, mas não farei disso meu mote principal – até porque isso seria idéia repetida). Quanto a vontade de escrever, guardei um pouquinho e hoje estou aqui. Motivada pelo filme (o que significa que pode passar a qualquer momento) estou tentando me policiar para escrever pelo menos uma vez na semana. Vamos ver se dá certo.



Quanto a vontade de namorar... bom...essa to tentando esquecer para não ficar ainda mais maluca.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Unexpected

Sabe uma coisa que eu realmente gosto da minha vida de intercambista?
O Inesperado.
Estava eu deitada em minha cama americana barulhenta, tentando tirar uma nap pós-expediente, quando o telefone toca e alguém me pergunta: "O que está fazendo?"
Nessas horas, no Brasil, eu logo pensaria que alguém iria me chamar para alguma coisa que eu provavelmente não iria querer fazer, dai inventaria uma desculpa ao invés de falar a verdade: "Nada"
O que acontece é que aqui, em minha condição de estrangeira solitária, qualquer convite é válido ( ainda que seja para ir no posto de gasolina). Logo, tratei de atender e falar a verdade. Não fazia nada.
Já esperando pelo convite de ir a padaria da esquina, me surpreendi quando ouvi: "Tá afim de ver um jogo de basquete?"
Ora, se tinha uma coisa que queria muito fazer aqui além de viajar e estudar era ver um jogo da NBA. Não porque sou fã do esporte, mas porque não há nada mais americano que isso.
Não titubeei, aceitei na hora.
Corremos então, convites inesperados não dão muito tempo a você. Tinhamos que ir até Okland para ver o jogo que começava as 7:30  e já era 7:20 e ainda estavamos em San Mateo.
Com algumas confusões GPSisticas e parada em posto de gasolina conseguimos chegar ao destino.  Perdemos boa parte do jogo e, na ansia de não perder mais nada, queriamos pegar o primeiro lugar que encontrassemos. Lógico que, como os lugares são marcados,  fomos impedidos por alguém da segurança do estadio. Ainda bem.
O que não sabiamos é que os ingressos que haviamos ganhado eram para a aera VIP do estadio. Mais uma vez o Inesperado.  Não só assistimos ao jogo de um lugar privilegiadíssimo como  tivemos direito a comidinha.
O jogo foi bem legal, era entre o Golden State  Warriors e os Hornets (que não faço ideia de onde são). Os Warriors estavam perdendo quando cheguei, mas acabaram ganhando de 131x 121. Me senti jogando NBA Jam no SuperNes, com a diferença de que eu estava dentro do jogo, ou melhor, na plateia. Vi Cheerleaders, vi saltos incriveis, show do intervalo e até comi hot dog. Não podia ser melhor.
Acho que quando voltar ao Brasil vou rever meu conceito de atender telefonemas e aceitar convites. Dar mais chances ao Inesperado, desculpe o pleonasmo, é que nunca se sabe  o que virá.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Contraditório!

Como pode saudade e repulsa co-existirem em um mesmo pensamento?
Isso aconteceu comigo hoje quando pensei no Brasil. Tive um pequeno momento de insonia californiano, provavelmente provocado pela vontade de estar em casa. Sonhei com meu avô, sonhei com meu trabalho. Lembrei da minha familia, do meu namorado, dos meus amigos. Tive vontade de comer pão de queijo, tutu e de tomar café de verdade.Sabe aquela história de que as aves daqui não gorgeiam como as aves de lá ? ( e nem poderiam visto que aqui só tem corvo =p).
Toda essa nostalgia só teria um destino hoje: crescer. Mas não foi assim que aconteceu, ao ligar meu fiel companheiro de viagem  FF (Fantastic Farias) meu sentimento foi interrompido por uma noticia besta, estupida, cretina. Mataram o Glauco! Covardemente.
Nesse momento alguém vai me perguntar: e o que tem isso com você?
E eu vou falar: tem muito!
Tem muito porque me faz lembrar daquilo que não tenho saudade aí no Brasil. E sim, sei que existe criminalidade aqui também, sei que as pessoas aqui te magoam tão profundamente com palavras  como  com um punhal. Mas a bandidagem aqui não chega aos pés da "Made in Brazil" , eu posso caminhar tranquila pelas ruas, deixar a bolsa no banco da pracinha enquanto olho as crianças brincando (mas não o faço pois ainda carrego a insegurança tupiniquim) posso morar numa casa sem muros e portões, o carro pode ficar na rua todo dia, etc.. etc. Posso viver.
Quanto as  palavras, que magoam mais que punhal, essas podem ser esquecidas, assim como a frieza das pessoas. Mas uma perda como essa que aconteceu aí no Brasil provavelmente fica para sempre. Ainda que as pessoas esqueçam, isso fica para aqueles que estão próximos ou, simplesmente, para aqueles que se importam.
É contraditório querer voltar e querer ficar ao mesmo tempo. Assim como é contraditório ver que um país frio, que não sabe abraçar me faz sentir muito mais segura que aquele onde encontro os melhores abraços.
Vai entender...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Isso aqui ô ô....

É engraçado quando você passa um tempo em outro país, você começa a gostar de tudo aquilo que de alguma maneira te faz lembrar seu lugar de origem. Pode ser uma coisinha a toa ou algo "huge", não importa, você sempre vai abrir um sorriso.
Andando por aqui pude encontrar algumas dessas coisinhas que me fizeram lembrar o Brasil. Na primeira semana já me deparei no shopping de Hillsdale com uma loja que se orgulhava em estampar que seus sapatos eram "Made in Brazil". Visitando a casa de um dos aupairs aqui, conheci uma familia americana que é muito brasileira. Eles viveram por um tempo no Brasil e, por isso, dentro da casa só se fala português, para que as crianças aprendam desde cedo.  Folheando o catalogo da Victoria Secret's ou  da Guess, não me lembro agora, vi estampado o orgulho de ter um biquine nos moldes brasileiros. Fora esses exemplos ainda tem a "brazilian wax" (depilação no estilo brasileiro) e "brazilian brush" (que é mais ou menos o que chamamos aí no Brasil de escova definitiva).
Mas nenhum dos exemplos me fez rir tanto quanto o "Brazil Butt Lift". Um video de ginástica, bem estilo polishop, que promete transformar seu bumbum flácido americano em um bumbum durinho brasileiro. Sim, porque todos no Brasil têm bumbum durinho. O video, que tem meia hora de exibição diaria na TV americana, interrompeu minha leitura de Sherlock Holmes, mas me fez dar varias gargalhadas (o que não é uma coisa fácil).
Quem quiser pode confeir um pedaço que encontrei no youtube. Garantia de risadas, ou seu dinheiro de volta.


Goodbye 80's!



Não podia deixar de postar essa noticia:


O ator Corey Haim foi encontrado morto na manhã desta quarta-feira, 10, em Los Angeles, confirmou o site do canal "Fox News". O ator, de 38 anos, teria falecido vítima de uma overdose acidental e as investigações no local já começaram.

Haim era considerado ídolo adolescente na década de 1980 e estrelou filmes como "Sem Licença Para Dirigir" e "Os Garotos Perdidos". Corey Haim lutava há anos contra a dependência química e ensaiava, sem sucesso, uma volta ao mundo artístico - ele chegou a publicar um anúncio  em revistas de circulação nacional nos Estados Unidos se oferecendo para trabalhar.
Noticia completa em:
 
Corey era um exemplo tipico de astro mirim que faz muito sucesso por um tempo e depois é esquecido. Seja porque não consegue agradar como adulto, seja porque tem a vida distruida pelas drogas. São inúmeros os exemplos: River Phoenix,Jonathan Brandis,Rafael Ilha, etc. (Sendo que os dois  primeiros tiveram o mesmo fim de Corey, cabendo ao segundo o mais trágico)
Já havia citado um dos filmes dele anteriormente aqui, e quem me conhece sabe o quanto adoro a década de 80 e 90. Não sou fã de Corey Haim - até acho que nem deve existir muita por ai- mas é como se uma parte dos 80 tivesse sumido. Por isso o post-despedida.
Goodbye 80's
Goodbye Corey Haim
 
 
Ah.. e para quem ainda não se lembra dele (o que não é díficil) aqui vai alguns dos filmes mais conhecidos ( e mais repetidos na sessão da tarde nos anos 90 - com uma década de atraso)
 

Dá o play Macaco!

terça-feira, 9 de março de 2010

Explicações..

Sobre o post anterior...
A grande burrada da burrita aqui foi fazer inscrição em um curso na State University of San Francisco e pensar que o curso começava no dia 23 de março, quando na verdade teve inicio em 23 de fevereiro.
Resultado: Perdi 100 doletas (pois só me devolveram 65% do que paguei) e fiquei sem refinar minha pronuncia. Como não se achar burra?

Sobre a ausência no blog...
Estou me organizando! Tenho um livro para ler até dia 29 de março ( A Study In Scarlet - Conan Doyle) para o curso sobre literatura de mistério que iniciarei em Stanford. Esse será o primeiro de sete livros, ou seja, tenho muito o que ler. Fora isso, estou organizando com meus companheiros auperisticos um grupo de estudos para "improvementar" nosso inglês. Além disso, cuido de menininhas nas minahs horas não vagas e nas vagas  o mais importante de tudo: estou vivendo San Francisco.

Não  tardarei a voltar, já recebi uma ajudinha do Chuchu para organizar minha vidinha (gostei do programa que me indicou)

É isso .. explicações feitas!
Até o próximo post.

Sem trilha sonora dessa vez.