terça-feira, 6 de julho de 2010

Somewhere over the rainbow

Até agora não escrevi um post sequer falando sobre minhas viagens por aqui, isso é bem estranho tendo em vista que este é um blog de intercambista. O que acontece é que, geralmente, volto tão cansada das viagens que acabo deixando para depois o post -o qual nunca sai no final. Um outro motivo de não escrever, advem do fato de me achar inexperiente para tanto. Fico, ou ficava, pensando que alguém para produzir um texto dando dicas e relatos sobre um determinado ponto turistico deve conhecer muito bem o assunto e não ser marinheiro de primeira viagem como eu sou. No entanto, o que percebo com o passar do tempo é que até o mínimo conhecimento já é alguma coisa e já pode ser valioso para alguém. Daí,só para concluir o preâmbulo,  resolvi escrever meu primeiro post "Guia Frommer" e  não poderia começar por lugar melhor, pela terra do arco-iris: Hawaii.
Passei quatro dias em Honolulu com mais duas amigas, saimos de San Francisco no dia 30 e voltamos na madrugada do dia 5. A viagem é bem longa, ainda que seja o mais curto trajeto em território americano, 5 horas e meia para ir. Há uma diferença de horário de quatro horas entre os dois estados. O que para quem está indo é maravilhoso, saimos as nove da noite e chegamos a meia noite lá. Porém, para a volta é mais confuso e cansativo, é o caminho inverso,  saimos de lá  também as nove e chegamos aqui as quatro e meia da manhã.
Escolhemos Oahu por ser a ilha mais barata e também a mais agitada. Ficamos em Waikiki, que é o lugar do "fervo", cheio de gente, lojas, prédios, etc. o que te faz até esquecer que está numa ilha as vezes.  Nesse ponto, o aluguel de um carro foi fundamental, pois podiamos passear por toda a ilha conhecendo várias praias, algumas praticamente desertas. Em quatro dias de viagem gastamos U$ 33,00 de gasolina ($11,00 por pessoa), o que não é nada tendo em vista o quanto rodamos. De ínicio eu estava em dúvidas se valeria a pena alugar um carro, depois da experiência afirmo que este foi essencial, valeu cada centavo ( que nem foi muito no final).
Entre as praias que conheci o destaque vai para Hanauma bay, lugar extremamente lindo, patrimonio natural do Hawaii, propicio para quem deseja praticar snorkling. Foi a única praia em que pagamos para entrar (7,50). Para quem deseja ver os peixinhos e corais de perto é possível alugar  o equipamento completo de snorkling por U$ 9,00, dentro da praia mesmo. Para quem, como eu, não leva muito jeito para a coisa, vale a pena simplesmente tirar várias fotos e deitar para tomar um sol. Uma dica: leve agua e comida, pois não há lugar para comprar na praia.
Fora visitar praias lindíssimas com aguas de um azul inigualável, há muita coisa para se fazer em Honolulu. E este talvez seja um dos  pontos que tornam o Hawaii um lugar único.Dentre as diversas opções:  cruzeiros, passeio de helicoptero pela ilha, vulcão,etc., acabei ficando com o tradicional Luau  e o curioso passeio de submarino. Não há como visitar Hawaii sem participar de um luau, mas esqueça toda aquela imagem de "baile do havaí" no country club da sua cidade, de parecido só a roupa e os colares. Ao invés das frutas espalhadas pelo salão, no verdadeiro Luau o que encontramos é uma festa a céu aberto, em uma praia privada, com muita comida e bebida, música típica e show de dança. Esta é a  forma mais divertida de se entrar em contato com a cultura polinésia, valeu cada centavo gasto (o que não foi pouco, o lual mais barato não sai por menos de U$ 60,00).
Quanto ao passeio de submarino, não tive a mesma sensação de dinheiro bem gasto, embora tenha gostado muito também. Talvez porque o tempo que passei  dentro do veiculo (45 minutos) tenha corrido muito depressa. Mas confesso que a sensação de estar a 69 feets (aprox. 22 m)  no fundo do mar é bem interessante.
Não podia terminar esse post sem falar daquele que considero o ponto mais forte do Hawaii: o povo. A sensação de ser bem acolhido é latente, eles realmente sabem como produzir turismo. Seja pelas milhares de lojas ABC com souvenirs espalhadas em cada rua da cidade,seja pela organização, seja pelo tom amigável com que nos tratam ou simplemente pelo fato de lembrarem seu nome ( e de outras trinta pessoas mais no grupo) depois de uma noite de festa, o fato é que esse povo faz toda a diferença e faz você sentir: Poxa! que sonho, eu estou no Hawaii!
Quando chegamos na ilha  a primeira coisa que me deparei foi com uma placa de carro havaino, no fundo havia o desenho de um arco-iris. No dia seguinte logo ao amanhecer, depois de uma chuvinha fina que nos acompanhou durante os quatro dias de viagem pude perceber o porquê da placa: um lindo arco-iris estampado no céu. Talvez essa seja a explicação de nos sentirmos tão em paz nesse lugar, da água ser tão azul e do povo tão feliz. O Hawaii era algo tão distante para mim que nunca me autorizei a sonhar com isso, mas como diz a música:  Somewhere over the rainbow (...) Dreams really do come true, até aqueles que você nunca sonhou.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Insonia

Não sou de ter insônia frequentemente, na verdade, no que se refere a sono, não tenho do que reclamar;  durmo bem, sem muito esforço e não tenho tanto problema para acordar. Mas hoje, graças a uma tosse do cão e um celular que apita a mensagem recebida quase 10 horas depois do que deveria, tive um momento de insonia. Isso me fez recorrer aos métodos que me fazem querer voltar a dormir: TV, ler, música e escrever. Como andava em divida com o blog, pulei a parte da TV e do ler e vim direto para o escrever, e, como adoro uma trilha sonora, o fiz escutando velharias do meu arquivo.  
Velharias, obviamente, me fazem lembrar do passado dai... dai ... segui o conselho da Tati e fui dormir. São 4 e meia da manhã, isso é hora de perder tempo com blog?!
Night! Night!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Postagem Homeopatica

Não posso mais ser acusada de não postar, o post que estou fazendo agora  me consome tanto que não consigo terminá-lo nunca. Não é porque seja bom não, pelo contrário, mas é que as vezes é dificil organizar idéias,passado, presente e futuro em um texto. Quando se escreve homeopaticamente, como estou fazendo no post atual, se pensa e repensa tanto que no fim não sai nada daquilo que se pensou. Complicado, né?!
E o pior de tudo isso é que talvez nem o publique.
Enquanto não o termino, tentarei aparecer aqui exporadicamente, nem que seja para simplesmente me explicar, ou para retomar o intuito inicial desse blog: contar sobre a vida de au pair viajante.
Veremos.

sábado, 5 de junho de 2010

Return of the living dead

After a long time without writing a word, here I am once again...

Since I arrived here I was promising to myself a post written in English. I'm a traveler in USA, waiting for the day which my English will be improved as I want. This day probably will never arrive; so, I thought that I could forget my pride, and shame, and, finally, write some few words.

Five months have passed since I left Brazil, with me, many things have passed too. Diferent kinds of feelings and experience, some that I already told, some that I will tell and some that I'll never tell. The funniest thing is that, it take so long time for you to understand that what you are doing is significant.

At this moment I think I got the best part of my journey, the part when I'm concious about what I am doing here, what I'm still able to do and what I, unfortunately, can't do. I'de lie if I said that the "nostalgia" (there's no good word for saudade) doesn't hurt me anymore, but I'm happy in say that it didn't kill me either.

The first thought that I had when I decided come to USA was to improve my English skills, you, readers and courious people, are probably surprised that I couldn't accomplish this goal yet. The answer my friends is that I didn't have idea, but my first goal here wasn't improve my English skills, it was, actually, to improve myself. And that is what I'm doing now.

For those who are able to do it, please, correct my mistakes. For those that are not able to do it, please, use the google translate. For everyone, able or not, I can't swear this is exactly how it happened. But this is how it felt.

sábado, 8 de maio de 2010

Lembraças alimenticias e o brunch

Toda vez que tenho saudades do Brasil (o que é quase todo dia) há sempre um pensamento alimenticio que permeia minhas lembranças. Não consigo pensar na minha casa e não lembrar dos torresminhos da minha mãe. Prazer suicida esse, mas que vale cada minuto de vida perdido e cada porcentagem ganha de colesterol.
Não consigo pensar no Chuchu e não lembrar de macarrão a bolonhesa, macarrão com atum, macarrão com frutos do mar, bife acebolado e milhares de outras refeições que já fizemos ( ou compramos) juntos. Quando penso no Guilherme lembro de sushi,  de cachaça, lembro do peixe da mãe dele  e do sashimi do pai. Quando lembro da minha irmã Aline lembro de macarrão à pizzaiolo, sempre que penso na  Jessica.. lembro... lembro... lembro  dela me pedindo para fazer alguma coisa para ela comer.
Há pessoas que estão tão diretamente conectadas a alimentos, seja pelo costume de faze-los, ou pelo fator regional, que as conexões ficam óbvias:  minha vó Otilia e o mousse de maracuja, Giovana e o pão de queijo, Dani e a Tapioca, Ingrid e o lanche do Trem Bão. Outros que a conexão só faz sentido na minha cabeça, como a Tati e o Quiche de alho poró, Vanessa e o Nescafé. Outros ainda que, de tão estranhos, chegam a ser engraçados, como Yuri e pão com ovo e a  Karina e suco Tang.  
Mesmo pessoas com as quais nunca tive muita intimidade culinária e/ou até profundidade afetiva tenho refeições para lembrar. Nem vou dizer de quem me lembro quando como, ou preparo,  uma paella, né.
Existem refeições que, ainda que simples, são capazes de reviver uma instituição, um momento ou uma época. Teria vários exemplos para colocar aqui - o salgado do PQ e a faculdade, o lanche do Doto e o CCAA, o chocolate suflair e a quase briga na oitava série, etc, etc - mas me prolongaria muito.
O interessante de toda essa reflexão, e o ponto ao que quero chegar, é que já consigo imaginar o que me fará lembrar do momento em que me encontro hoje.
 Sei que toda vez que comer comida mexicana e/ou italiana me lembrarei dos Vitro. Quando comer frozen yogurt me lembrarei do Nick, quando comer cookies da Jenny, peanut butter com geleia  da Madison, quando comer qualquer "snack" me lembrarei da Libby. Não serão os hamburguers, as batatas fritas e os dounuts que me lembrarão America, é o mocha, o ovo mexido e o bacon já citado, as panquecas com syrup, o cinnamon roll, as "berries",enfim,  o brunch!
Ah.. que saudades sentirei do brunch.
Depois me pergunto o porquê de ter engordado quase um quilo e meio desde que cheguei... a resposta que darei a partir de agora sobre esse questionamento estético será apenas uma: é que estou cheia de lembranças.

domingo, 4 de abril de 2010

Good Morning America!

Sabe aquele cheirinho de bacon fritando logo as 7 da manhã? A mesa posta com toda a familia esperando pelos ovos mexidos, o suco de laranja, algumas berries e os "cinnamon rolls"? Não dear fellows, isso não é imagem de um filme.Tal cena  realmente existe.
Claro que não é algo tão cotidiano como imaginamos ai no Brasil, mas é tão bonito ( e gostoso) quanto se pinta.Tenho o dom de apreciar coisas simples e transformá-las em grandes porque assim as senti. E no fim elas acabam tornando-se grandes, porque o que importa é o quanto significou e não o quao bonita pareceu na foto.
 Parece brega isso, mas é verdade: sou alguém que gosta da noite mas que tem um carinho especial pelas manhãs.  Sempre acho um disperdicio de vida dormir até as 11am. Neste sentido, tenho que dizer que por aqui ando aproveitando bem tais momentos. Acordar de manhã, tomar café com toda calma do mundo, ler um pouquinho, caminhar durante a semana e  fazer Yoga aos sábados. Hábitos que não tinha no Brasil mas que aqui, talvez pelo excesso de tempo livre, surgiram e que adorarei levar comigo.
Já não sei mais como vivi sem Yoga, sempre achei esse negócio de paz interior e equilibrio do corpo a maior baboseira do mundo. Já não acho mais.  (Isso não quer dizer que encontrei minha paz interior e estou caminhando  ao Nirvana - As if!- continuo a maluca de sempre, mas tenho que adimitir que me equilibrar em um só pé e ouvir musiquinha calma me faz um bem danado.
Caminhar pelas manhãs, seja em direção ao parque, biblioteca, academia ou simplesmente a coffee house é tão bom; ainda mais quando se escuta quase que o tempo todo "Good morning" ou quando um estranho simplesmente para pra conversar com vc. Nessas horas não fico triste por não ter carro aqui, pois, provavelmente, perderia boa parte disso. 
De ínicio eu pensava que os "good mornings" eram por eu estar, na maioria das vezes, com a Libby a tira colo. É facinante como as pessoas ficam mais felizes quando vêem uma criança, especialmente os mais pequenos. Os sorrisos se abrem desde longe e todo mundo tem que fazer alguma gracinha. Mas mesmo caminhando sozinha, que é o que faço nos fins de semana ou nas manhãs sem Libby, continuo a ouvir "good mornings" . As vezes respondo meio sem jeito porque não os esperava; a idéia pré-concebida do americano não incluia "good mornings". Ponto negativo para mim, que acreditei nessas ideias.
Eu não sei se o sabor do bacon e dos ovos que comi hoje de manhã estava realmente no produto em sí. Acredito que não. Penso que este estava muito mais   na forma como me foram preparados e apresentados. Com a sala de jantar organizada, com o casal feliz servindo as duas pequenas sentadas - felizes por terem caçado alguns ovos de pascoa-  e com o mais importante de tudo, ouvindo  algumas vozes dizendo "good morning, Val" e eu respondendo alto e claramente "Bom dia"  e interiormente, feliz,  sussurrando: Good Morning America!


Dá o play macaco!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Micro epifanias

Coisas que eu nunca imaginei que aconteceriam um dia e que aconteceram aqui:


-Gostar de música de criança ( e dançar “Rescue Pack” com passos de zumba)
-Dançar zumba ( e saber que isso existe)
- Usar um banheiro quimico ( e ter a porta aberta por um estranho na frente de meia San Francisco)
- Reprovar no exame prático de carro por não parar no stop sign ( e rir muito depois disso)
- Ler um livro inteiro em ingles (já li tres desde que cheguei)
-Descobrir que gosto do Little Mermaid da Disney no mesmo patamar de Pulp Fiction do Tarantino.
- Correr na rua que nem uma louca, fingindo que fazia jogging, só porque estava com frio.
- Descer de vestido em um escorregador no meio de uma balada (morro de medo de escorregadores desde criança).
-Descobrir que, ainda que goste de desenhar, nunca poderia trabalhar com isso.
- Gostar de ervilha
-Comer salada todo dia (como prato principal).
-Ter um twitter ( e gostar disso)
-Gostar de jornalismo ( e querer me aprofundar no tema).
- Descobrir que amo minha vida americana mas não ao ponto de querer ficar aqui para sempre.


- E que ainda tem muiiiiiiita coisa para acontecer no Brasil (e por isso não vejo a hora de voltar)